Médico acusado de racismo é indiciado

Everton Otaclio de Campos Menezes teria ofendedido a funcionria de um cinema no ltimo domingo 29; Menezes disse que Marina Serafim Reis deveria estar na frica e que era grossa por causa da cor da pele; ele foi intimado nesta quarta-feira 2 e vai responder por injria discriminatria; pena equivalente a de homicdio culposo, variando de um a trs anos de priso

Brasília 247 – Um crime de racismo chocou a população de Brasília. No último domingo, Everton Otacílio de Campos Menezes, médico endocrinologista e psicanalista, quis furar fila na entrada de um cinema e ofendeu a atendente Marina Serafim Reis, que não o passou na frente das outras pessoas. Menezes foi intimado e o depoimento está marcado para esta sexta-feira 4. A Polícia Civil indiciou o médico por injúria difamatória, com pena que varia de 1 a 3 anos de prisão, período equivalente ao crime de homicídio culposo.

O delegado que cuida do caso, Ailton Rodrigues de Oliveira, disse que já tem provas suficientes para abrir um processo contra Menezes. Para Oliveira, o depoimento tem o objetivo de ouvir a versão do médico sobre o caso.

“Ele disse que eu era muito grossa que era por isso que eu tinha essa cor, que eu estava no lugar errado, que ali não era meu lugar, que eu não devia estar lidando com gente, devia estar lidando com animal” contou Marina, que ficou muito abalada, chorando durante todo o dia e sem conseguir dormir a noite. “Ele disse também que eu não deveria estar morando aqui que eu deveria estar morando na África, cuidando de orangotangos”, completa a funcionária.

Ao ouvir as ofensas, as pessoas que estavam na fila do cinema ficaram indignadas e chamaram os seguranças. Menezes conseguiu fugir, mas depois foi localizado pela polícia. Testemunhas contaram que o médico argumentou que estava atrasado para assistir um filme que começava às 15h, e por isso se achou no direito de furar a fila. Como Marina disse que ia atender as outras pessoas primeiro, Menezes começou a ofender a funcionária.

Este não é o primeiro caso de racismo do psicanalista. Em 2002, Menezes chamou uma advogada que estava trabalhando como mesária durante as eleições de “neguinha”. Ele também já teria passagem na polícia por desacato à autoridade e lesão corporal.

Menezes nega as acusações. "“Não tenho nenhum preconceito contra afrodescendentes. Gosto da África e já visitei [o continente]. Respeito todas as etnias. As pessoas não são diferentes por causa da cor, absolutamente”, explicou o médico durante entrevista ao Correio Braziliense.

Carreira

Everton Otacílio de Campos Menezes atendia numa clínica no Lago Sul como psicanalista, apesar de, segundo a Sociedade de Psicanálise de Brasília, não ter formação na área. A Sociedade de Psicanálise contou que ele teve o currículo avaliado e passou por três entrevistas, mas não foi aprovado. Posteriormente, Menezes criou a Associação de Refundação Psicanaítica Internacional, onde dava aulas.

Com informações do SBT, portal G1 e Correio Braziliense.

 

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