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Brasília

O caos da especulação imobiliária no DNA: o caso da 901 Norte

O Negócio é Fazer Negócio, e não interessa se o futuro de Brasília for comprometido por interesses menores: os aventureiros se divertem com a leviandade dos administradores públicos de Brasília, que "topam tudo por dinheiro"

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Os urbanistas que não participam da máquina do GDF e afiliadas estão reunidos em um amplo movimento de oposição à expansão do Setor Hoteleiro Norte na direção da Quadra 901 Norte. Essa Quadra é uma das últimas áreas na área central do Plano Piloto que deve ser preservada para o uso pelo governo federal - o grande interessado num padrão de organização urbana que beneficie o papel de Capital da República.

Contudo, os interesses que se instalaram na cidade ao longo de sua Autonomia Política, desde 1990, colocam qualquer "empresário" ou aventureiro como detentor de maior poder de influência sobre aqueles que deveriam ser os guardiões do solo da Capital, que o próprio interesse público.

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EM BRASÍLIA, O NEGÓCIO É FAZER NEGÓCIO - QUEM NÃO GOSTAR, SE RETIRE

O Negócio é Fazer Negócio, e não interessa se o futuro de Brasília for comprometido por interesses menores: os aventureiros se divertem com a leviandade dos administradores públicos de Brasília, que "topam tudo por dinheiro". A imensa sucessão de decepções com os nossos políticos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, no episódio de aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial durante o Governo de José Roberto Arruda, mostra o quanto a corrupção é norma na cúpula do governo local: a Caixa de Pandora significou o pagamento a legisladores para que aprovassem a legislação (mas esse foi também o espírito do Mensalão).

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Por quê o Poder Executivo teve que pagar propina aos deputados distritais para que uma Lei de sua iniciativa fosse aprovada? Com certeza, a vastidão desse episódio de corrupção demonstra que essa Lei do PDOT não é bem qualificada, não é uma boa lei, não é idônea, ao contrário. Somente com o pagamento de generosa propina aqueles legisladores a aprovariam - como aprovaram, com notáveis insconstitucionalidades (que, sanadas, nem de longe corrigem o que há de errado, de inadequado no atual PDOT, em especial a sua falta de fundamentação ambiental e de um projeto de fortalecimento da Capital da República).

UM MONUMENTO À PERDA DE RUMO DA CAPITAL FEDERAL

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Esse episódio da Quadra 901 Norte reafirma a corrupção em Brasília: será um monumento à perda de rumo do projeto da Capital Federal. A cidadela hoteleira, intensamente ocupada por edificações que podem alcançar 15 andares em todo a Quadra 901 Norte - e já teve propostos ainda mais, cerca de 18 andares em propostas anteriores - será gigantesca, uma excrescência na área central de Brasília. Vai formar um verdadeiro "Triângulo das Bermudas Urbanístico, triangulando com outras duas excrescências: o gigantesco Estádio Nacional e o texano Centro de Convenções.

A perda de rumo, somente nesse Triângulo das Bermudas Urbanístico pode piorar? Sim!!! Segundo o "Princípio Águas Claras de Descontrole Urbanístico", qualquer número de pavimentos pode ser rapidamente ampliado depois do Fato Consumado. Urbanismo de Pandora em estado puro, essa Quadra "Hoteleira" 901 Norte. Brasília perdeu seu rumo de seriedade ao longo da Autonomia Política, e não recupera-se tão cedo, como a conduta de seus dirigentes indica, fartamente.

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Se examinarmos as entranhas do que está a acontecer neste momento, nas salas da TERRACAP, uma luta silenciosa se mostra: não se trata apenas do número de pavimentos, das maracutaias urbanísticas que virão permitir a ainda maior ampliação do potencial construtivo e as concessões aos prospectivos proprietários do pedaço. Trata-se de uma questão crucial: QUANTOS SERÃO OS PROPRIETÁRIOS?

A LUTA INTESTINA DE "UM CONTRA TODOS" OU "TODOS CONTRA UM"

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As maracutaias urbanísticas parecem brinquedo de criança perto da queda de braço entre os empresários que querem a imensa Quadra 901 Norte "para chamar de sua". Elementarmente, trata-se de fazer uma licitação da Quadra 901 Norte como se fosse uma "gleba só", para UM ÚNICO GRANDE PROPRIETÁRIO, ou uma licitação em CATORZE LOTES, para várias combinações de empresários mais, digamos, humildes.

Completo "déjà vu", já vimos isso, num episódio importantíssimo da construção de Brasília: em seus dois "Setores de Diversão", Norte e Sul (respectivamente, na identidade popular: O CONJUNTO NACIONAL e o CONIC, construidos na década de 1970).

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O Conjunto Nacional foi arrematado como uma gleba só, apesar de efetivamente ser composto por mais de uma unidade imobiliária. O condomínio de investidores agiu como um só, fez um projeto íntegro, e o resultado é a inegável integridade do Conjunto Nacional, em termos de sua arquitetura e de sua presença urbana. No contexto de Brasília, o Conjunto Nacional se integra muito bem, com uma pureza que - gostemos ou não - é totalmente coerente com a grande linguagem proposta e prevista por Lucio Costa.

O QUE ACONTECEU COM O CONIC?

O Setor de Diversões Sul não foi licitado assim, como se fosse "uma gleba só", para uma única iniciativa de construção. Feliz ou infelizmente, não houve, à época, a possibilidade de os empresários se unirem condominialmente, numa única frente, e fazer um projeto íntegro.

Dizem que o grande vitorioso foi mesmo o sr. Antonio Venâncio da Silva, que arrematou uma "dezena e tantos" lotes, e fez sua série local de "Venâncios Numericos". Cada um dos arrematantes fez seu próprio projeto, como quis, de forma quase caótica: a coordenação de projetos foi quase impossível, e o GDF teve dificuldades de todo tipo para impor um mínimo de regularidade, do subsolo à cobertura. O próprio GDF nunca cumpriu aspectos básicos, sob sua responsabilidade, como os passeios comuns a essa peculiar cidadela de diversoes que é o CONIC (um nome derivado de um de seus prédios).

O Setor de Diversões Sul é caótico, tem o caos dos especuladores em seu DNA. Sua esforçada recuperação é obra de gente oposta, gente comunitária, carinhosa, boêmia, amorosa. Que o diga a combativa Prefeita Flávia Portela, que faz um trabalho extraordinário em uma dificílima fração de nossa cidade.

(O querido bardo de Brasília, o poeta Nicolas Behr, conta que, no futuro, operosos antropólogos redescobrirão as veneráveis ruínas de Brasília, e anunciarão ao mundo as glórias arquitetônicas de uma grande dinastia de monarcas que regeu aquele antiga cidade perdida no Planalto Central do Brasil: OS VENÂNCIOS. Isso porque encontraram evidências da milenaridade, do tremendo sucesso de uma dinastia que homenageou seu grande Venâncio I, assim como o Venâncio II, Venâncio III, Venâncio IV, Venâncio V... até chegar a um inacreditável Venâncio 2000!!!!!!!!!)

ESTAMOS ÀS VÉSPERAS DE PIORAR MUITO A 901 NORTE

Ou seja, estamos às vésperas de piorar muito algo que já é péssimo: a ocupação da Quadra 901 Norte por uma desnecessária, congestionadora - e, provavelmente, arquitetônicamente histriônica e envidraçada "cidadela hoteleira", arquitetonicamente caótica.

Esses sujeitos que não param de tratar Brasília como uma "galinha" dos ovos de ouro estão mesmo soltos, indômitos, com a faca e o queijo nas mãos, fazem mesmo que querem. Até quando? Até quando for tarde demais, quando lamentarmos a perda da Capital Federal para esses políticos e administradores venais, de Pandora? Quando o próprio Governo Federal se tornar refém da especulação imobiliária local? Quem diria...

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