O preconceito da elite contra a classe trabalhadora

O preconceito da elite contra o operariado é uma forma de autoritarismo social que nos transforma numa sociedade doente

No Brasil temos inúmeros tipos de preconceitos. Todo cigano é ladrão. Todo índio é preguiçoso. Negro gosta de feitiçaria. Judeu é avarento. Nordestino tem cabeça chata. Se consultarmos o dicionário sobre o significado da palavra preconceito, encontraremos provavelmente como resposta: opinião ou ideia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; atitude genérica de discriminação ou rejeição, em relação a sexo, religião, raça, ou classe social.

Dentre os preconceitos existentes no Brasil, há umque sempre existiu e continua a existir. Ele me preocupa. É o preconceito de classe da elite contra o operariado, na forma de um autoritarismo social que temos o dever de observar e combater.Por que ? porque ele nos transforma numa sociedade doente, ao não perceber que o poder não é privilégio de uma classe só.

Ainda hoje vemos por parte da elite brasileira exemplos de comportamento comuns no período da ditadura militar,como o da ex-primeira dama Dulce Figueiredo, registradopela Revista Piauí recentemente.Elaconsiderou absurdo o fato do médico oficial do ex-presidente João Figueiredo, Roberto Kalil, ter atendido o, na ocasião, operário metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. “Meu juramento me obriga a atender a todos aqueles que necessitam de tratamento”, argumentou ele junto à preconceituosa Dulce, neste caso, não apenas por falta de reflexão mas sim resultado de clara discriminação contra um operário.

O que passou pela cabeça dela certamente ainda passa pela cabeça de muitos políticos, empresários, banqueiros, altos funcionários do Judiciário e do Executivo. Eles acreditam que a classe trabalhadora, o operariado e aqueles que não passaram pelos bancos das universidades, não tem condições, cultura, e nem o direito de dirigir o país, apesar de prova ao contrário: os ótimos resultados obtidos pelos dois governos do ex-presidente Lula, com benefícios no período, inclusivepara as elites.

Uma das cinco milionárias do reality show da tevê brasileira “Mulheres Ricas” disse recentemente que “quando Lula chegou ao poder, a classe alta brasileira achou que ia ser terrível, mas o presidente Lula fez um ótimo governo, os ricos continuaram ricos e os pobres também têm um pouco mais de dinheiro”. Fico na dúvida se qualifico deilário ou triste ouvir de uma pessoa, com terceiro grau completo, presumidamente esclarecida, resumir a verdadeira revolução feita por Lulaem termos de redução de desigualdade de renda no país, como “os pobres tem um pouco mais de dinheiro”.

Na verdade a renda dos 10% mais pobres do país teve crescimento recorde de 100% na última década, enquanto ados 10% mais ricos 20%. Apesar do grande crescimento econômico,o Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo, segundo a ONG britânica Oxfam, ocupando o segundo lugar em desigualdade entre aqueles do G20, apenas atrás da África do Sul. É necessário, portanto,manter a direçãode priorizar a diminuição da pobreza, e a eliminação do preconceito contra os pobres de uma maneira geral.

Na nossa visão, crescimento econômico não é suficiente para reduzir a desigualdade. São essenciais medidas específicas de redistribuição de renda e redistribuir significa,em última análise, diminuir o montante geral ou o lucro dos que têm ou ganham mais. E ao contrário do que leva a crer o preconceito da elite de que pobre não é igual a rico; operário não merece ter bons salários; a classe trabalhadora não tem massa encefálica suficiente para dirigir o país; acreditamos que acabar com a desigualdade no Brasil é a melhor maneira de fazer o país crescer.

Essa é a única saída viável, isso é bom para todos, sem excessão.A melhoria no padrão de vida dos mais pobres tem impacto direto e positivo sobre a vida dos ricos.Quando os níveis de educação e renda melhoram, o benefício se reverte para toda a sociedade por meio de, por exemplo, aumento na produtividade, queda na criminalidade e desenvolvimento de consciência política e ecológica.

Apesar do reconhecimento internacional do Brasil lá fora e do sucesso econômico resultante da gestão Lula, parte da elite brasileira acha que deve continuar mandando no Brasil e continuar governando para as elites. Não sabem o que é, na prática, ficar desempregado, o que é passar fome, andar de ônibus lotados e velhos, ignoram como é a vida nas favelas. Mas este povo sim, sabe que é pra eles que os governos petistas prioritariamentegovernam.

E muitos de nós, operários, trabalhadores e sindicalistas petistasprovamos que temos condições sim de dirigir, chegamos como representantes ao Congresso Nacional e legislativos estaduais, ao Executivo e ao Judiciário. Nós sabemos que é necessário levar as pessoas a refletir sobre discriminação porque muitas vezes sentimos na carne o peso do preconceito.

Há uma espécie de preconceito espontâneo em relação a tudo que é diferente ou desconhecido. Para estes casos convido à juventude, principalmente, para que reflitam sobre as diferenças de classes e de como elas atuam ou dificultam em determinado momento o desenvolvimento do país.

Por outro lado, existe o preconceito motivado pelo medo. Este acredito ser o caso de parte da elite brasileira, que teme ter que abrir mão de parte de suas riquezas pelo bem do Brasil. Na verdade, aliado ao medo falta a eles ( os grandes defensores de governantes da academia ) entender o que pra nós é óbvio : a grande revolução a ser feita é a do fim da desigualdade social, é o do fim do preconceito de que a classe operária não pode ganhar melhor , ocupar altos postos de comando, e entender e aplicar o que é bom para o país. Isso sim ajudará a transformar o Brasil na grande Nação que potencialmente já é.

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