O que diz testemunha sobre técnica que acusa Magno Malta de agressão
O Hospital DF Star informou que abriu uma apuração administrativa para investigar os fatos
247 - Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmou ter encontrado a técnica de enfermagem que acusa o senador Magno Malta (PL-ES) de agressão logo após o suposto episódio ocorrido no Hospital DF Star, em Brasília. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles.
De acordo com o depoimento prestado nesta quarta-feira (6), o homem — que também trabalha na unidade hospitalar — declarou que não presenciou o momento em que teria ocorrido a agressão, mas relatou aos investigadores que viu a profissional logo depois da situação e percebeu que os óculos dela estavam tortos. Segundo a técnica, isso teria acontecido em razão de um tapa desferido pelo parlamentar.
O caso teria ocorrido na última quinta-feira (30), mesmo dia em que a ocorrência foi registrada na polícia. O Hospital DF Star informou que abriu uma apuração administrativa para investigar os fatos. A instituição também confirmou que a técnica de enfermagem está afastada das atividades profissionais por orientação médica.
Segundo o relato da profissional às autoridades, Magno Malta estava internado para realizar exames de angiotomografia de tórax e coronárias. Ela afirmou que era responsável por conduzir o senador à sala de exames, realizar a monitorização e iniciar os procedimentos necessários, entre eles o teste de acesso venoso com aplicação de soro.
Ainda conforme a versão apresentada pela técnica, durante a aplicação do contraste, o equipamento utilizado identificou uma obstrução e interrompeu automaticamente o procedimento. Ao verificar a situação, ela constatou o extravasamento do líquido no braço do paciente.
A profissional afirmou que, ao explicar a necessidade de compressão no local afetado, o senador teria reagido de forma agressiva. Segundo o depoimento, Malta se levantou da maca e, quando ela tentou prestar assistência, teria dado um tapa em seu rosto, além de proferir ofensas. A técnica disse ainda que o impacto teria entortado seus óculos. O senador nega todas as acusações.
O deputado distrital Jorge Vianna (Democrata), que acompanha o caso e já ocupou a vice-presidência do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Distrito Federal (Sindate-DF), criticou o episódio e prestou solidariedade à profissional.
“Ter uma profissional de enfermagem sendo agredida, seja verbal ou fisicamente, no seu local de trabalho só prova mais uma vez como a enfermagem é tratada em qualquer nível. Agora, partindo isso de um senador da República, deixa a gente mais indignado. E por mais que ele fale que não deu [o tapa], por mais que ele não assuma isso, está claro que essa menina procurou a delegacia porque ela se sentiu de alguma forma agredida”, declarou.
O parlamentar afirmou ainda que o caso não deve ser interpretado sob viés partidário. “Essa pauta é uma pauta de gênero, ou seja, um homem agredindo a mulher, essa é a motivação real”, disse.
Nas redes sociais, Magno Malta negou ter cometido qualquer agressão. “Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, afirmou o senador.
Em nota divulgada por sua defesa, o parlamentar alegou que estava sob forte medicação no momento do atendimento médico. Segundo os advogados, Malta encontrava-se com a cognição comprometida em razão do estado de saúde e teria reagido apenas ao desconforto físico provocado pelo procedimento, sem intenção de agredir a profissional. A defesa informou ainda que o senador acionou imediatamente o médico responsável pelo acompanhamento clínico.