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Brasília

Obras do BRT agridem meio ambiente no Park Way

Desde o primeiro governo Roriz, cada terreno de mansão prevista por Lúcio Costa se transformou num condomínio de oito casas. Uma explosão imobiliária e populacional brutal, sem que tenham sido tomadas as precauções de planejamento urbano

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Os moradores do Park Way estão estarrecidos com a agressão ao meio-ambiente provocada pelas obras de construção da via expressa de ônibus que ligará o Gama e Santa Maria ao Plano Piloto, conhecida como BRT, na sigla em inglês de buz rapid transit. Na altura da quadra 14, próximo ao Balão do Aeroporto, os tratores rasgaram o chão sem dó e nem pena. Árvores do cerrado, já consolidadas e com mais de cinco metros de altura, foram destroçadas, relembrando as tristes imagens do desmatamento da nossa Amazônia.

Além das sucupiras e cabiúnas, outras espécies nativas e exóticas daquela região, foram por terra. Para nocautear de vez o meio-ambiente, há outro desmatamento promovido pelas autoridades públicas na área do aeroporto JK, que segundo se especula, será destinada a abrigar os taxistas que servem aquele local. O desmatamento já foi alvo de interdição pela Justiça, pois ali é uma área de preservação ambiental.

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No trecho da estrada Parque Dom Bosco que vai do entroncamento da BR-40 (ali denominada Epia), na altura da floricultura do Núcleo Bandeirante, ao Balão do Aeroporto, a via expressa do BRT deixa de ser uma faixa no canteiro central da rodovia para ganhar ares de uma segunda via, independente. Para isso, rasgou-se toda a área verde existente em frente da quadra 14 do Park Way. Não houve por parte das autoridades nem da empreiteira executante da obra a preocupação em transplantar as espécies nativas para outro local, a exemplo do que foi feito quando da execução das obras do metrô no Eixo rodoviário, o Eixão. Os tratores avançaram até mesmo no feriado de 7 de setembro, pondo por terra em segundos aquilo que a natureza levou décadas para constituir.

No local existem nascentes d'água, formando uma mini vereda, que mesmo nesta época seca do ano é forte o suficiente para deixar a vegetação verde, como se fora um oasis. Nem palmeiras faltam. Nas placas das obras, não existem referências à existência de um relatório de impacto ambiental. Igualmente, os moradores não foram alvo de audiência pública.

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Outra preocupação da comunidade é que além da via expressa, um canteiro de obra mostra que haverá uma edificação. Ninguém sabe exatamente o que é, pois,como afirmamos antes, nem o GDF, nem a administração regional, nem as empreiteiras do consórcio BRT tiveram a preocupação de debater com os moradores os projetos a serem executados e, quem sabe, receber sugestões da comunidade.

Especula-se que será uma estação de transbordo ou de integração do sistema de transporte coletivo. E a simples especulação de isso ser verdadeiro, já revoltou os moradores do Park Way, que nas redes sociais demonstram a sua insatisfação. Em vão, as duas associações de moradores existentes no bairro já provocaram a administração regional e o deputado distrital Chico Leite – a quem é atribuído a indicação do atual administrador, José Estrela.

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As preocupações da comunidade não param por ai.

A BR-40 divide ao meio o Park Way em duas fatias. Do lado Leste da rodovia, estão as quadras de 14 a 29. Do Oeste, as de número 6 a 13. Atualmente, com o trânsito intenso da via, já é difícil acessar de um lado a outro. Malabarismos e peripécias automobilísticas são necessários, por exemplo, para quem deseja ir da quadra 28 para o Núcleo Bandeirante, principal apoio de comércio e serviço do bairro.

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Há muito, os moradores reivindicam uma travessia mais segura. Agora o temor é que o problema se agrave, a exemplo do que ocorreu na Estrada Parque Taguatinga, onde ao longo da via só existem duas oportunidades de travessia para carros: na altura da entrada do Guará e na de Águas Claras.

Com a via expressa do BRT, os retornos existentes na BR-40 deverão desaparecer. Seriam necessários trevos e viadutos para propiciar o deslocamento de uma banda à outra do bairro. Os moradores já enviaram solicitações de informações à administração regional, mas nem mesmo com a lei do acesso à informação foram respondidos.

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A própria administração regional parece estar às margens desta obra, que tem previsão para ficar pronta em julho do ano que vem. Segundo o portal do GDF, somente no dia 20/8, muito depois do início da construção da via expressa, é que representantes do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e do Consórcio BRT – Sul, responsáveis pela construção do Expresso DF, estiveram reunidos com a Administração Regional do Park Way para a apresentação da execução das obras na BR-450.

O temor maior é que os pontos de travessia se limitem aos trevos já existentes no viaduto do Catetinho, no entroncamento para o Gama, e no trevo de ligação da Estrada Parque Dom Bosco com a Epia, próximo ao Núcleo Bandeirante. Além disso, segundo as maquetes divulgadas na propaganda da obra, as vias de serviço, paralelas à rodovia, que hoje são de mão dupla, permitindo a mobilidade em ambos os sentidos – Park Way-Plano Piloto e Park Way-Gama – passariam a ter sentido único. O lado oeste teria sentido Gama e o lado Leste, direção Plano Piloto.

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A inexistência de múltiplos pontos de travessia e a aplicação de sentidos únicos nas vias de serviço resultariam numa restrição brutal na mobilidade de veículos no Park Way, bairro que não conta internamente com transporte coletivo adequado e onde faltam passeios públicos e ciclovias.

A comunidade do Park Way representa hoje uma população de, aproximadamente, 60 mil habitantes. Pagam um IPTU caro, equivalente ao do Lago Sul. O bairro ainda conserva algumas características de área rural, como projetado por Lúcio Costa, quando previu para que seria um setor de mansões suburbanas e que formaria parte do cinturão verde do DF. Ainda é possível avistar pica-paus, araras, papagaios, capivaras sagüis...

Hoje é um grande aglomerado de casas. Desde o primeiro governo Roriz, cada terreno de mansão prevista por Lúcio Costa se transformou num condomínio de oito casas. Uma explosão imobiliária e populacional brutal, sem que tenham sido tomadas as precauções de planejar abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto, vias públicas adequadas ao fluxo de veículos. Até a energia elétrica é falha e não são poucas as reclamações de falta de energia ou de equipamentos domésticos queimados pelas descargas elétricas.

Hoje setores do Park Way penam com a falta d'água, falta de segurança e de equipamentos púbicos. Para piorar a situação, a última versão do PDOT, segundo moradores, autorizou a destinação de áreas atualmente verdes do bairro a "empreendimentos imobiliários de uso múltiplo". Esta nomenclatura técnica, ainda na versão de moradores, seria a permissão para a implantação de estabelecimentos comerciais e até de pequenas indústrias na região, antes projetada para ser um cinturão verde.

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