Oposição deixa plenário da Câmara contra decreto sobre Forças Armadas

O líder do PT, deputado Carlos Zarattini (SP), anunciou que os partidos de oposição decidiram retirar todos seus deputados do plenário em protesto contra o decreto de Michel Temer – publicado em uma edição extra do Diário Oficial da União – que prevê o emprego das Forças Armadas na Esplanada dos Ministérios entre 24 e 31 de maio; "Não reconhecemos a legitimidade da sessão, enquanto durar o estado de exceção", declarou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS)

Paulo Pimenta, Carlos Zarattini 
Paulo Pimenta, Carlos Zarattini  (Foto: Gisele Federicce)

Agência Câmara - O líder do PT, deputado Carlos Zarattini (SP), anunciou há pouco que os partidos de oposição decidiram retirar todos seus deputados do Plenário em protesto contra o decreto do presidente Michel Temer – publicado em uma edição extra do Diário Oficial da União – que prevê o emprego das Forças Armadas na Esplanada dos Ministérios entre 24 e 31 de maio.

"Estamos inaugurando uma nova fase na história do Brasil. Para reprimir uma manifestação popular com mais de 100 mil pessoas, se coloca o Exército na rua. Isso é um retrocesso com o qual nós não podemos compactuar. Nós da bancada do PT e de oposição vamos nos retirar do Plenário", disse Zarattini, pedindo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, assim como o Supremo Tribunal Federal, encerre a sessão desta quarta-feira.

O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) rebateu as críticas. "É muito mais anormal depredar bem público, arrebanhar bandidos a semana inteira e trazer de ônibus para destruir Brasília do que colocar o Exército para preservar a ordem do povo brasileiro", disse.

Rodrigo Maia afirma que uso das Forças Armadas foi decisão do governo federal

Após o decreto do presidente Michel Temer editado nesta quarta-feira (24), em razão das manifestações ocorridas na Esplanada dos Ministérios, e que autoriza o emprego das Forças Armadas no Distrito Federal, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, afirmou que solicitou a Força Nacional de Segurança Pública para uma atividade de cooperação com a Polícia Militar do DF.

Após a suspensão da sessão da Câmara, Maia deu entrevista coletiva no Salão Verde e disse que a decisão de convocar as Forças Armadas foi do governo federal. "Pedi apoio das Forças Nacionais, sim. O instrumento que ele usou é uma decisão do governo. De fato, o ambiente na Esplanada era grave e para garantir a segurança tanto dos manifestantes como para os que trabalham nos ministérios e no Congresso, fui ao presidente porque achava que era importante que a Força Nacional pudesse colaborar junto com a polícia militar do Distrito Federal", disse Maia.

Rodrigo Maia desmentiu o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que em pronunciamento para anunciar a convocação das Forças Armadas afirmou que o decreto havia sido editado a pedido de Maia. "Já pedi ao líder do governo que pedisse ao ministro da Defesa que esclarecesse os fatos e pudesse recompor as verdades dos fatos. Ao presidente da Câmara cabe a garantia da ordem no nosso prédio e no entorno do prédio, e a segurança daqueles que o frequentam", afirmou.

O Psol protocolou Projeto de Decreto Legislativo (PDC 676/2017) que suspende o decreto editado por Temer, que autoriza o uso das Forças Armadas em Brasília até o dia 31 de maio. Maia também afirmou que vai solicitar ao presidente Temer para que reduza o prazo de atuação das Forças Armadas.

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