Para PF, celular de general pode revelar participação de membros de forças especiais do Exército no 8/1
Objetivo é identificar as pessoas que usavam balaclavas e que teriam orientado os extremistas. Foram encontrados armamentos associados às forças especiais com os golpistas
247 - A Polícia Federal (PF) está intensificando o escrutínio do celular do general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, para aprofundar a suspeita de participação de militares das forças especiais do Exército, chamados de "kids pretos", nos atos golpistas do dia 8 de janeiro.
A suspeita é de que membros da força de elite do Exército tenham orientado a ação dos militantes bolsonaristas e de extrema direita que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Ridauto foi alvo de uma operação da PF na sexta-feira (29). >>> General Ridauto Lúcio Fernandes, alvo da Operação Lesa Pátria era um kid preto, com tática de guerra irregular
Segundo a Folha de S. Paulo, “presos por terem atuado nas invasões relataram terem recebido instruções de como agir no momento das invasões e depredações dos prédios”. Para a PF, entre as ações que teriam sido orientadas estão o uso de técnicas avançadas, como o uso de gradis e cordas atadas para criar escadas improvisadas “que dificilmente tenham sido feitos por pessoas leigas”. >>> PF aprofunda investigações sobre ação dos 'kids pretos' no terrorismo de 8 de janeiro
Os investigadores querem identificar as pessoas que trajavam balaclavas e que estariam orientando os extremistas nas imagens gravadas no dia da intentona golpista. Além disso, o uso de granadas "bailarinas" durante os ataques, um armamento associado ao treinamento de membros das forças especiais do Exército, aumentou a suspeita da participação dos militares. As granadas foram encontradas no Senado após os atos golpistas. >>> General alvo da PF dirige instituto que lançou "projeto de nação" com Villas Bôas
Ainda conforme a reportagem, os “investigadores apontam que antes mesmo de ter participado dos atos, Ridauto deu entrevistas para podcasts em que explicava que os forças especiais são especialistas em promover guerras irregulares, usando civis sem experiência em combate para auxiliar em conflitos. ‘O movimento irregular é você recrutar pessoas que não são militares ou que têm o mínimo de experiência [...], vai treinar e vai fazer com que eles se transformem em uma força de emprego em combate’, disse Ridauto em setembro de 2022”. >>> Réus relatam que foram orientados por 'invasores especiais' no 8/1 e complicam militares "kids pretos"
Na ocasião, Ridauto também afirmou que “o segredo seria recrutar os ‘dissidentes e os descontentes’ para ‘instruí-los para serem combatentes’. "Os forças especiais, a especialização deles é treinar esse pessoal, é saber fazer isso", destacou Ridauto.
