HOME > Brasília

Quem são os técnicos de enfermagem investigados como serial killers após mortes em hospital do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga três técnicos de enfermagem presos

Marcela, Marcos e Amanda estão presos por suspeita de envolvimento nos homicídios

247 - A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga três técnicos de enfermagem presos sob suspeita de matar pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. O caso, que chocou o Distrito Federal, levanta a hipótese de atuação em série dentro do ambiente hospitalar, com vítimas em situações de extrema vulnerabilidade.

As informações são do Metrópoles. O hospital confirmou ter comunicado o caso às autoridades após identificar circunstâncias atípicas envolvendo os profissionais na UTI. As investigações indicam que ao menos três pacientes morreram após intervenções criminosas, e a motivação ainda é desconhecida.

Os presos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, todos técnicos de enfermagem que atuavam diretamente na unidade intensiva. Segundo a polícia, o trio teria causado a morte de João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb); Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada de 75 anos.

De acordo com a PCDF, o próprio Hospital Anchieta acionou os investigadores após perceber um padrão incomum de óbitos associados à atuação dos três profissionais. Em nota, a instituição informou que a apuração interna foi iniciada por iniciativa própria, antes mesmo da conclusão das investigações policiais.

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, detalhou a dinâmica dos crimes e afirmou que, em ao menos um episódio, um produto químico de limpeza foi utilizado contra um paciente. “Em um dos casos, ele sugou um desinfetante no quarto de um paciente com a seringa e aplicou ao menos 10 vezes no paciente”, declarou o delegado, em uma das falas mais contundentes da investigação.Inicialmente, os técnicos negaram envolvimento, alegando que apenas administravam medicamentos prescritos por médicos. 

No entanto, segundo a polícia, as versões ruíram diante das provas reunidas. Confrontados, os suspeitos teriam confessado os crimes, demonstrando frieza e ausência de arrependimento. Ainda assim, não apresentaram justificativa para as mortes.

Marcos Vnicius Silva e Marcela Camilly Alves

A PCDF descarta, até o momento, a prática de eutanásia e trabalha com a tipificação de homicídio doloso qualificado, considerando a impossibilidade de defesa das vítimas, que estavam internadas em estado grave. A investigação também busca esclarecer se há outros casos semelhantes e se o número de vítimas pode ser maior.Em meio à repercussão, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) divulgou nota oficial informando que acompanha o caso e instaurou procedimento para apurar eventuais infrações éticas. O órgão ressaltou que não pode emitir conclusões antecipadas e que serão respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

O Coren-DF reforça que, caso as investigações confirmem a ocorrência de conduta ilícita ou infração ética, o profissional será devidamente responsabilizado, nos termos do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem”, afirmou o conselho, destacando ainda o compromisso com a segurança do paciente e a defesa da vida.

As investigações seguem em andamento, enquanto familiares das vítimas aguardam respostas sobre as circunstâncias das mortes e eventuais falhas de controle dentro da unidade hospitalar.