Relatório final da CPMI dos Atos Golpistas cita ataques às torres de transmissão de energia: 'indícios de sabotagem'
Relatório aponta que foram registrados mais de dez ataques às torres de transmissão de energia logo após a intentona golpista do dia 8 de janeiro
247 - O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas destinou um espaço para os ataques às torres de transmissão de energia que aconteceram em seguida aos atos atos terroristas do dia 8 de janeiro quando militantes bolsonaristas e de extrema direita invadiram e depredaram as sedes dos Três poderes, em Brasília.
De acordo com o relatório lido pela relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), na terça-feira (17), os ataques, assim como os bloqueios a refinarias e distribuidoras de combustíveis, e outras ameaças de ataques a prédios públicos queriam produzir caos social e faziam parte de um movimento articulado em nível nacional. >>> Bolsonaro presta novo depoimento à PF nesta quarta-feira
De acordo com o site Canal Energia, o relatório mostra que logo após os ataques terroristas do dia 8 de janeiro, a Abin identificou uma série de ataques a torres de distribuição de energia. As informações de desligamentos monitorados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que vieram do Sistema Integrado de Perturbações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontaram que foram registrados cerca de 11 ataques às torres de transmissão de energia. >>> Relatório final da CPMI dos Atos Golpistas pede indiciamento de Bolsonaro e 8 generais por tentativa de golpe
Os atos de vandalismo ocorreram entre os dias 8 e 24 de janeiro de 2023, em decorrência dos quais quatro torres foram derrubadas, sendo três em Rondônia e uma no Paraná e 16 foram danificadas – 6 no Paraná, 3 em São Paulo, 6 em Rondônia e 1 em Mato Grosso. No dia 9 de janeiro de 2023, nove torres de transmissão de energia elétrica foram atacadas, das quais três foram derrubadas, duas na cidade de Medianeira (PR) e uma em Rolim de Moura (RO). >>> Quem são os 61 alvos de pedido de indiciamento pela CPMI do 8 de janeiro
“O documento conta ainda que os atos de vandalismo entre os dias 8 e 16 de janeiro tem indícios de sabotagem, demonstrando preocupação com o uso de retroescavadeiras ou tratores por parte dos criminosos contra torres de transmissão”, destaca a reportagem. >>> CPMI pede indiciamento de ex-comandantes do Exército e da Marinha
Segundo a senadora, o relatório é baseado nas oitivas e nos documentos que chegaram à CPMI. Foram indiciadas 61 pessoas, entre elas Jair Bolsonaro (PL), por associação criminosa, violência política, abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado.