Senadores criticam o uso de arma contra estudante da UnB

Presidente da Casa, Jos Sarney, afastou o policial que usou a pistola de imobilizao at que as investigaes terminem

Marcos Chagas_Agência Brasil - Senadores das comissões de Ciência e Tecnologia e de Agricultura, que votaram ontem (8) o texto principal do projeto de lei do novo Código Florestal, protestaram contra a atitude da Polícia Legislativa do Senado. A principal crítica dos parlamentares foi quanto ao uso, pelos seguranças, da pistola Taser (arma de imobilização por meio de choque) contra um dos universitários.

Logo na abertura dos trabalhos, o presidente da Comissão de Agricultura, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que nada justifica a ação do policial que atirou contra o estudante, mesmo ele estando com as mãos levantadas. O policial, autor do tiro, foi afastado da atividades no final da tarde de ontem (8) pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), até que a investigação seja concluída. Sarney determinou que a apuração do caso ocorra em 15 dias.

"Nada justifica o que ocorreu no confronto de ontem dos estudantes com a segurança do Senado. O amadurecimento da democracia passa pelo amadurecimento de nossas instituições. Fiquei satisfeito de ver a atitude tomada pelo presidente Sarney", disse o amazonense.

O relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente, Jorge Viana (PT-AC), também lamentou o episódio. Ele ressaltou a necessidade da Polícia Legislativa "tomar providências [para garantir a segurança na Casa] sem fazer uso dessas armas".

O senador Reditario Cassol (PP-RO) protestou contra a atitude dos estudantes. "Aqui não é Casa de faroeste. Não admito que um covarde, que não deve saber o que é um Código Florestal, nunca deve ter trabalhado em uma roça, plantado uma árvore, me xingue como fui xingado ontem". Reditario Cassol recomendou ao presidente José Sarney que ele mantenha a autoridade na Casa.

O estudante de geologia da Universidade de Brasília (UnB) Raphael Pinheiro da Rocha, detido pela Polícia Legislativa do Senado na manifestação, será indiciado pelos crimes de desobediência e resistência à prisão. Raphael foi arrastado por cerca de 20 metros, por quatro policiais, após receber voz de prisão.

O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, disse que, em depoimento dado na presença do pai, o estudante reconheceu que simulou um desmaio, após ser arrastado. Na proximidade do elevador que dá acesso à delegacia, Raphael "tentou desvencilhar-se com chutes" dos policiais e levou um tiro de Taser, pistola paralisante usada pelos agentes.

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