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Abordagem policial que matou influenciador de 18 anos no Ceará é contestada por familiares

Os policiais foram acionados após uma denúncia e localizaram o casal trafegando em alta velocidade

Ruan Carlos (Foto: Reprodução)

247 - O influenciador digital Ruan Carlos da Silva Morais, de 18 anos, conhecido nas redes sociais como Cearense do Grau, morreu na noite desta terça-feira (25) após ser atingido por um disparo durante uma abordagem policial em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. As informações iniciais foram divulgadas pelo portal Metrópoles.

Segundo a publicação, o jovem, que acumulava mais de 300 mil seguidores em plataformas digitais, estava em uma motocicleta acompanhado da namorada, de 16 anos, quando ambos foram abordados por equipes da Polícia Militar do Ceará. A corporação afirma que Ruan teria efetuado disparos contra os agentes, precipitando uma perseguição pelas vias do município.

De acordo com a nota encaminhada pela PM, os policiais foram acionados após uma denúncia e localizaram o casal trafegando em alta velocidade. A corporação relata que, ao desobedecerem a ordem de parada, os agentes iniciaram a perseguição. Durante a ação, Ruan teria “respondido com tiros”, levando os militares a “responder à agressão para garantir a legítima defesa”. A perseguição terminou quando o influenciador perdeu o controle da moto e colidiu contra o meio-fio.

Ruan e a namorada foram socorridos e encaminhados a uma unidade hospitalar. O influenciador, no entanto, não resistiu aos ferimentos provocados pelos disparos e pela queda. A adolescente, atingida por um tiro no ombro e machucada na queda, permanece internada com ferimentos considerados moderados.

Nas redes sociais, amigos e familiares passaram a questionar a narrativa apresentada pela Polícia Militar. A mãe do influenciador publicou um relato emocionado, demonstrando incredulidade diante da morte do filho e cobrando esclarecimentos sobre a conduta policial. “Gente, eu tô aqui no hospital e muito abalado com o que aconteceu. Não vou conseguir responder vocês. O momento é delicado demais e espero que vocês entendam. Eu só vi a foto dos policiais perto dele, ainda vou ver o que aconteceu, o motivo deles terem feito isso com ele. Ainda vou querer ouvir a namorada dele que está hospitalizada, que levou um tiro”, escreveu.

Enquanto a família aguarda o depoimento da adolescente e a conclusão das investigações, o caso reforça debates sobre uso de força policial, protocolos de abordagem e letalidade em operações no Ceará. A Secretaria da Segurança Pública deve se manifestar novamente após a consolidação dos primeiros procedimentos administrativos.