Braskem atrasou fechamento da Mina 18, que ameaça afundar bairros de Maceió, segundo agência

O preenchimento da Mina 18 com areia não teve início conforme programado. Nos outros poços onde o trabalho foi iniciado, o MPF identificou irregularidades no material utilizado

Danos residenciais ligados à mineração de sal-gema pela petroquímica Braskem em bairro Maceió
Danos residenciais ligados à mineração de sal-gema pela petroquímica Braskem em bairro Maceió (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


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247 - O evento de afundamento de uma das minas da Braskem em Maceió, que desacelerou recentemente, ocorreu devido a irregularidades e atrasos por parte da empresa no processo de fechamento de seus poços de exploração de sal-gema na capital alagoana. Relatórios da Agência Nacional de Mineração (ANM), que monitora o planejamento da mineradora desde 2020 para fechar as 35 cavidades às margens da Lagoa de Mundaú, indicam que a Braskem demorou quase dois anos para decidir sobre o fechamento da Mina 18 com o uso de areia, método semelhante aplicado em outros oito poços, informa o jornal O Globo. A empresa alega ter seguido as recomendações das autoridades. Entretanto, o preenchimento da Mina 18 não teve início conforme programado para o dia 25, quatro dias antes do alerta de risco de colapso emitido pela Defesa Civil de Maceió. Mesmo nos outros poços onde o trabalho foi iniciado, o Ministério Público Federal identificou irregularidades no material utilizado, chegando a suspender a extração de areia pela mineradora.

Segundo a Defesa Civil, a Mina 18 apresenta um afundamento de 1,8 metro desde a semana passada. Na medição das últimas 24 horas, realizada ontem à noite, o movimento foi de 6,3 centímetros, menor do que os 7,4 centímetros detectados na noite anterior e os 11,8 centímetros registrados no sábado. Apesar disso, o órgão manteve o alerta de "risco iminente de colapso", com recomendações para que a população evite a região. Na manhã de ontem, o ritmo de afundamento chegou a 0,25 centímetros por hora, um dos menores registrados desde o início do alerta, mas aumentou ligeiramente ao longo do dia para 0,26 centímetros por hora.

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A responsabilidade da Braskem pelo afundamento do solo, relacionado à extração de sal-gema no bairro Mutange, que afetou outros quatro bairros e 57 mil pessoas, foi confirmada por estudos técnicos do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) em 2019. No ano seguinte, a ANM, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, exigiu que a empresa apresentasse um plano de fechamento das minas de sal-gema, levando em consideração as peculiaridades de cada uma. Apenas em fevereiro de 2021, dois anos após o caso ser vinculado à atividade da Braskem, a empresa registrou um plano de fechamento da Mina 18, a segunda maior das 35 cavidades, com 494 mil m³ na época.

O plano original previa apenas o tamponamento do acesso ao poço, sem o preenchimento de todo o volume. Em maio de 2021, a Braskem informou à ANM que estava reavaliando a decisão, pois, ao iniciar o processo, constatou que a cavidade estava despressurizada, impedindo o prosseguimento do plano de fechamento.

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Somente em fevereiro de 2022, houve uma alteração no planejamento, incluindo a Mina 18 entre aquelas que seriam preenchidas com areia. A mudança foi submetida pela Braskem e aprovada pela ANM.

Das nove minas selecionadas para o fechamento com areia, a Mina 18 seria a penúltima a ter o processo iniciado, conforme cronograma divulgado pela Braskem no mês passado. A demora ocorreu mesmo com sinais de evolução do afundamento nos últimos meses. Em junho e agosto, medições com sonares registradas em um novo relatório técnico da ANM indicaram que a Mina 18 tinha uma "configuração complexa de cavidades segmentadas e conectadas por uma passagem estreita", sugerindo que parte do poço já estava cedendo. Na ocasião, o volume total medido foi de 489 mil m³.

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Houve uma redução mais acentuada no volume em uma nova medição no início de novembro, quando a Defesa Civil registrou 116 mil m³ na mina, representando uma redução de 75% em relação aos meses anteriores.

Questionada pelo GLOBO, a Braskem afirmou ter seguido os prazos acordados com a ANM, baseando-se em estudos nacionais e internacionais para determinar a técnica de fechamento de cada poço. A empresa alegou que o preenchimento da Mina 18 não foi iniciado "devido aos microssismos e movimentações atípicas" detectados nas últimas semanas, associados ao afundamento acentuado nos últimos dias. A mineradora também afirmou que a redução de volume na Mina 18 desde o início do ano estava "na margem de erro do método de varredura por sonar", justificando a ausência de "qualquer ajuste nas medidas já definidas".

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