Camilo Santana: ataques de Ciro ao PT são uma estratégia errada

Ao justificar a sua posição, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirma que "nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado"

(Foto: Dir.: Nacho Doce - Reuters)

247 - O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), avalia que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) erra ao atacar o Partido dos Trabalhadores porque ninguém consegue construir uma candidatura viável de centro-esquerda sem apoio do partido.

"Acho que nenhuma candidatura se constituirá à esquerda, centro-esquerda, se não tiver o PT como aliado. O PT demonstrou uma força extraordinária na última eleição. Fernando Haddad teve 47 milhões de votos, o partido elegeu a maior bancada federal, a maioria dos governadores. Tem uma base social muito forte", afirma o chefe do Executivo cearense em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo

"O Ciro sempre foi muito aliado, Lula não pode mais ser candidato. Defendi lá atrás que Ciro fosse candidato, defendi a chapa Ciro-Haddad, fui um dos primeiros. Era o momento de se unir em torno de um projeto", acrescenta.

O governador diz, no entanto, não vê abalo na sua relação com o pedetista. "Abalo na relação deles com o PT existe, né? Na nossa relação, não. Temos uma relação muito sólida com base em um projeto no qual a gente acredita para nosso Estado. Posso ter divergências quanto ao comportamento do Ciro, acho que a estratégia dele está errada, mas respeito a posição", complementa.

Ao comentar sobre o PT, o governador afirma que o partido "não pode fazer oposição só por oposição ao Bolsonaro, precisa mostrar os caminhos importantes para o crescimento, para a desigualdade social no Brasil". 

"Por isso que tive aquele comportamento na reforma da Previdência. Não só meu, mas do Rui (Costa, governador da Bahia), do Wellington (Dias, governador do Piauí). É inegável a necessidade de uma reforma. Eu fiz em 2016 no meu Estado, só não mudei a idade porque Constituição não permite", continua. "Nosso papel é defender uma previdência que não prejudique os mais pobres, o rural, que não tenha capitalização, defender a importância de fazer uma reforma e tirar privilégios sem prejudicar a camada mais pobre e mais sofrida da população. Era isso que eu acreditava que o PT devia defender".

De acordo com Santana, "um dos erros que o PT tem cometido é não fazer uma autocrítica, não se reinventar, não se renovar". "Sou até criticado internamente por essa visão. Mas como quero conquistar o Brasil? Precisa ter uma mudança, principalmente na região Sul-Sudeste, onde se criou um antipetismo muito forte", afirma. 

O governador afirma que "o PT deve se renovar, se reinventar em alguns aspectos para conquistar essa parcela da população que se decepcionou, que não acredita mais". "O partido deve mostrar que é possível, que tem coisas muito boas e importantes que já fez e pode fazer".

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