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Nordeste

Candidato a reitor critica gestão “autoritária” da UFMA

O médico Antonio Gonçalves fala sobre suas propostas caso seja eleito reitor da Universidade Federal do Maranhão e critica a gestão da instituição, segundo ele, "marcada historicamente pelo autoritarismo de uma elite que se sucede no poder"; leia a entrevista concedida por ele ao blog Propagando, do publicitário Ricardo Fonseca

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O médico Antonio Gonçalves fala sobre suas propostas caso seja eleito reitor da Universidade Federal do Maranhão e critica a gestão da instituição, segundo ele, "marcada historicamente pelo autoritarismo de uma elite que se sucede no poder"; leia a entrevista concedida por ele ao blog Propagando, do publicitário Ricardo Fonseca (Foto: Gisele Federicce)
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Maranhão 247 – Candidato a reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), numa disputa que acontece nesta quarta-feira 27, o médico Antonio Gonçalves fala, na entrevista abaixo, sobre suas propostas caso seja eleito e critica a gestão atual da instituição, segundo ele, “marcada historicamente pelo autoritarismo de uma elite que se sucede no poder”. Confira a íntegra de sua entrevista ao blog Propagando:

PPGDO: O que levou o Sr. a se candidatar a vaga de Reitor da UFMA?

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AG – Em minha trajetória profissional na Universidade Federal do Maranhão, sempre estive atento aos caminhos tomados em sua gestão, marcadas historicamente pelo autoritarismo de uma elite que se sucede no poder, com um único intervalo de processo de democratização, logo interrompido pelo atual mandato que já dura oito anos. Durante esse tempo participei de várias reuniões com colegas de diferentes áreas e entidades, até que foi se configurando e se fortalecendo como grupo regular um coletivo composto por discentes, docentes e técnicos administrativos que construiu o Movimento UFMA Democrática - MUDe, que no decorrer das discussões da realidade da Universidade, elegeu a mim e a Prof.ª Marise Marçalina para defender a proposta construída coletivamente.

PPGDO: Quais os problemas mais graves da Universidade Federal?

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AG- São muitos e diversos na mesma proporção. Hoje a UFMA apresenta um quadro resultante da completa ausência de debate coletivo e de planejamento. Considero que o maior deles se encontra na estrutura, que se encontra fragilizada pelo desrespeito aos colegiados institucionais, fazendo com que a verticalização e a generalização das decisões causassem violação do estatuto e do regimento institucionais, promovendo dubiedade, privilégios e compadrio nas decisões, o que enfraquece qualquer estrutura institucional. Um segundo problema é a expansão sem planejamento, hoje temos na UFMA cursos que não apresentam um corpo docente em número adequado para o desenvolvimento do currículo, não apresentam também infraestrutura com laboratórios e equipamentos necessários para um aprendizado de qualidade, isso tanto na sede, quanto no interior, ou seja, foram criados novos cursos sem que se planejasse orçamentariamente e pedagogicamente sua sustentação. Outra questão fundamental é a assistência estudantil, com ampliação do acesso promovida nos últimos anos, temos um público que necessita de moradia, alimentação, biblioteca, laboratórios de informática, o que não foi implantado na atual gestão e, vem se configurando como uma luta muito grande dos estudantes, é só lembrar da greve de fome que alguns estudantes fizeram para conseguir a moradia no Campus de São Luís. Por fim temos duas unidades que carecem de uma atenção redobrada, que são:

o Hospital Universitário - HU, entregue de forma irresponsável a uma empresa recém criada, que apresenta ambiguidade em sua natureza – pública de capital privado – criando no interior do HU diferentes regimes de trabalho e salariais, o que corrói relações e produtividade no trabalho; a outra unidade é o Colégio Universitário - COLUN, criado para ser um colégio de aplicação, foi extremamente negligenciado na atual gestão, carecendo na atualidade de autonomia pedagógica e financeira.

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Por isso, considero que além de numerosos os graves problemas da Universidade, além de apresentar grande diversidade, são também numerosos e só tem solução a partir do debate coletivo, da comunidade acadêmica discutindo em suas instâncias deliberativas as melhores alternativas para cada situação.

PPGDO: Como é essa gestão participativa que faz parte de suas propostas?

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AG- A UFMA é uma instituição de estrutura colegiada, temos como menor fração dessa estrutura as Assembleias Departamentais que congregam todos os professores de cada subunidade e a representação estudantil e dos técnicos administrativos, em seguida os Conselhos de Centro englobando todos os chefes de departamento e coordenadores de curso de graduação e pós-graduação de cada Unidade mais a representação estudantil e dos técnicos administrativos e, então os Colegiados Superiores:

Conselho de Administração – CONSAD; Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CONSEPE e o Conselho Universitário – CONSUN instância máxima de decisões acadêmicas e o Conselho Diretor, instância deliberativa nas questões que envolvem o patrimônio, que são constituídos por representatividade dos segmentos da comunidade acadêmica e membros da administração.

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Embora no caso dos Colegiados Superiores haja um grande número de ocupantes de cargo de direção, o que pretendemos que seja modificado por meio da convocação de uma Estatuinte, considero que respeitados os colegiados institucionais nas tomadas de decisão, abrimos espaços para um grande debate sobre os problemas da Universidade e teremos instâncias com as quais dialogaremos de forma permanente. No entanto, essa estrutura não foi mantida nos Campi do continente, que não apresentam uma instância que englobe todos os professores e as representações dos demais segmentos, o que também precisamos discutir e alterar no decorrer de nossa gestão.

PPGDO: Por que com tantos recursos a UFMA tem prédios obsoletos com estruturas avariadas?

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AG- Devido à ausência de planejamento orçamentário e acadêmico, pois se construiu muitos espaços que não foram ambientados para se tornarem espaços formadores. Em uma Instituição de Ensino Superior - IFES, os projetos arquitetônicos devem servir ao desenvolvimento do projeto acadêmico e, isso definitivamente não aconteceu na UFMA.

PPGDO: Existem muitas queixas de assalto na Universidade. O que fazer para combater essa situação?

AG – O combate à violência no interior do Campus não pode ser tratada e nem reduzida a uma questão de policiamento, precisamos criar uma guarda treinada para compreender as relações desenvolvidas nas IFES, que não guarde só o patrimônio material, mas o maior patrimônio que temos que é a vida humana, isso aliado a projetos sociais que fortaleçam as relações da UFMA com as comunidades de seu entorno, que irão contribuir para que a segurança melhore de forma considerável.

PPGDO: Como está o nível da campanha. Está havendo algum tipo de abuso de poder econômico ou da máquina administrativa da UFMA?

AG– Com certeza está havendo abuso sim. Estão sendo utilizadas informações dos sistemas acadêmicos para enviar correspondência a docentes e discentes, uso da estrutura da instituição para se comunicar com os Campi do continente. Além de atendimento de demandas que não foram atendidas nos últimos oito anos, sendo efetivadas a toque de caixa.

PPGDO: Como está a situação dos outros Campi, e quais as soluções para melhorar?

AG– Os Campi do continente carecem de complementação de infraestrutura, principalmente de laboratórios e de salas específicas, além de complementação do corpo docente e técnico dos cursos, isso não será fácil em função dos cortes nos recursos para a educação, mas nos empenharemos ao máximo para buscar os recursos necessários, além de cortar alguns gastos excessivos para que possamos dispor das condições necessárias para resolver esses problemas.

PPGDO: Muitos candidatos estão concorrendo sozinhos. Como surgiu a sua parceria com a Prof. Dra. Marise Marçalina?

AG – Foi sem dúvida um feliz encontro que nasceu na construção do MUDe, a professora, assim como os demais membros estava inquieta com os rumos que a UFMA vinha tomando e trouxe sua experiência e seus conhecimentos sobre a instituição, participando de toda a discussão, sendo eleita para compor comigo a chapa que quer transformar a Universidade.

PPGDO: O que é o MUDE?

AG– Como falei no início, o Movimento UFMA Democrática é um coletivo formado por docentes da ativa e aposentados, discentes e técnicos administrativos que começaram a se reunir para discutir os problemas da UFMA e nesse processo construíram coletivamente uma proposta de mudança para a Universidade e também as candidaturas da professora Marise Marçalina para vice-reitora e a minha para reitor.

PPGDO: Cite 3 motivos para votarem em Antonio Gonçalves para reitor?

AG– 1) Porque é o candidato que junto com sua candidata a vice-reitora se compromete a promover a transparência na utilização dos recursos da Universidade;

2) É uma candidatura que possuí o respeito às decisões colegiadas, reestruturando administrativamente a instituição e promovendo um sentimento de participação entre todos os segmentos da comunidade acadêmica;

3) É uma candidatura que é oriunda de um coletivo que compreende a gestão de uma IFES como muito mais do que executar cegamente as políticas oriundas do governo federal, mas é, sobretudo, construir e desenvolver coletivamente um projeto que articule seus processos formativos com o desenvolvimento local, estadual, regional e nacional, mantendo a instituição como um espaço de liberdade e de diversidade.

Clique aqui e saiba mais sobre a consulta prévia para a escolha do reitor e vice-reitor que acontece nesta quarta-feira 27.

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