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Governo do Ceará custeará traslado do corpo de babá morta pela patroa em Portugal

Família de Lucinete Freitas aguardava repatriação há mais de 20 dias e enfrentava dificuldades financeiras e jurídicas

Lucinete Freitas (Foto: Reprodução / redes sociais)

247 - O governo do Ceará anunciou que irá custear o traslado do corpo da babá Lucinete Freitas, de 55 anos, morta em Portugal após ser assassinada pela própria patroa. A decisão foi confirmada mais de 20 dias após o corpo da brasileira ter sido localizado e deve permitir que a família realize o sepultamento no Brasil. A informação é da CNN Brasil.

De acordo com o chefe da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira, a medida busca minimizar o sofrimento dos familiares. “Isso é o mínimo para atenuar um pouco a imensa dor da família”, afirmou. A confirmação do apoio governamental foi feita pelo marido da vítima, Teodoro Júnior.

Segundo ele, a família enfrentava grandes dificuldades para viabilizar a repatriação do corpo, já que não dispõe de recursos financeiros nem de assistência jurídica privada. Teodoro relatou ainda que chegou a buscar apoio da Defensoria Pública da União, mas não obteve retorno até o momento.“Estamos sem condições de arcar com os custos e sem orientação jurídica. Foi muito angustiante esse período de espera”, disse o marido.

Lucinete Freitas havia se mudado recentemente para Portugal em busca de trabalho. Ela desapareceu no dia 5 de dezembro e foi encontrada morta no dia 18 do mesmo mês, após 13 dias sem contato com a família. O corpo foi localizado em uma área de mata na região de Amadora, na região metropolitana de Lisboa, coberto por objetos, em uma tentativa de ocultação.

A Polícia Judiciária portuguesa prendeu uma mulher de 43 anos, também brasileira, por fortes indícios de envolvimento no crime. Segundo as autoridades, o homicídio teria sido motivado por razões consideradas fúteis, e a suspeita foi apresentada à Justiça portuguesa para interrogatório e definição das medidas cautelares.

Em nota divulgada no início de janeiro, o Ministério Público de Portugal confirmou que Lucinete foi assassinada pela patroa, com quem mantinha uma relação profissional marcada por conflitos. Conforme a investigação, no dia do desaparecimento, a suspeita teria levado a vítima para um local isolado sob o pretexto de acompanhá-la até em casa.

No local, Lucinete teria sido violentamente agredida na cabeça com um bloco de cimento. Após constatar a morte, a patroa ocultou o corpo sob entulhos e abandonou-o na área. Ainda segundo o MP, a suspeita utilizou o celular da vítima para enviar mensagens a familiares e amigos, fingindo ser Lucinete, afirmando que teria viajado para o Algarve, no sul de Portugal.A mulher foi indiciada pelos crimes de “homicídio qualificado, profanação de cadáver, detenção de arma proibida e falsidade informática”. O inquérito segue sob responsabilidade do Núcleo da Amadora, com apoio da Polícia Judiciária.

Lucinete havia deixado o Brasil no dia 21 de abril para trabalhar como babá em período integral, cuidando de uma criança de dois anos. Segundo o marido, ela mantinha contato diário com a família no Ceará. O último contato ocorreu no próprio dia 5 de dezembro, por volta das 19h33, sem que nada de anormal fosse percebido.