Governo federal cria assentamento agroextrativista na Paraíba
Projeto Elizabeth Teixeira encerra antigo conflito agrário, beneficia 21 famílias e recebe investimento de R$ 8,29 milhões em área entre Sapé e Sobrado
247 - O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) realizou nesta quinta-feira (5) a solenidade que oficializou a criação do Projeto de Assentamento Agroextrativista Elizabeth Teixeira, na Paraíba. O ato ocorreu na Fazenda Barra das Antas, localizada entre os municípios de Sapé e Sobrado, na Zona da Mata paraibana, e marcou o encerramento formal de um processo histórico de disputa pela terra na região.
Segundo informações divulgadas pelo próprio MDA, o assentamento possui área total de 133,4889 hectares e vai beneficiar diretamente 21 famílias de trabalhadoras e trabalhadores rurais. O investimento destinado ao projeto soma R$ 8.294.828,59 e inclui ações voltadas à estruturação produtiva e ao fortalecimento da agricultura familiar e do agroextrativismo.
Durante a cerimônia, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que a medida representa o desfecho de um dos conflitos agrários mais antigos do país. “Hoje, estamos resolvendo o mais antigo conflito agrário do Brasil, que é aqui. Na história da luta agrária do Brasil, já está escrito o nome de um herói nacional, João Pedro Teixeira. A memória está viva, e a memória se chama Elizabeth Teixeira”, declarou. De acordo com o ministro, a iniciativa reafirma a política de reforma agrária adotada pelo Governo do Brasil.
Um dos momentos centrais do evento foi a entrega simbólica da Portaria nº 1602, de 22 de janeiro de 2026, que cria oficialmente o Projeto de Assentamento Agroextrativista Elizabeth Teixeira. O documento foi entregue à líder camponesa Elizabeth Teixeira em sua residência, em João Pessoa, como forma de reconhecimento à sua trajetória histórica na luta pela terra.
Ao comentar o gesto, Paulo Teixeira destacou o significado simbólico da entrega. “Elizabeth foi perseguida, viveu na clandestinidade, sua família sofreu profunda violência e desestruturação, mas ela está na nossa memória, e viva. Hoje, vamos entregar a criação desse assentamento, o título na mão de Elizabeth Teixeira”, afirmou durante a solenidade.
O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), César Aldrighi, também se pronunciou durante o ato e ressaltou o alcance social da medida. “É um orgulho reconhecer esse assentamento e entrega-lo para as 21 famílias”, disse. Representantes do governo federal, parlamentares, dirigentes do Incra e lideranças camponesas acompanharam a cerimônia.
Familiares da homenageada participaram do evento e destacaram o caráter histórico da decisão. Juliana Elizabeth Teixeira, neta de Elizabeth Teixeira, afirmou que “reforma agrária não é benefício, é justiça histórica e dignidade para quem trabalha na terra”, ao comentar a criação do assentamento que leva o nome da avó.
Elizabeth Teixeira é reconhecida como uma das principais referências da luta camponesa no Brasil. Paraibana, assumiu a liderança das Ligas Camponesas de Sapé após o assassinato de seu companheiro, João Pedro Teixeira, em 1962, e tornou-se símbolo da resistência em defesa da reforma agrária e dos direitos dos trabalhadores rurais.
Ao longo de décadas, Elizabeth enfrentou perseguições políticas, prisão e viveu na clandestinidade durante a ditadura militar. Sua trajetória foi registrada no documentário “Cabra Marcado para Morrer”, dirigido por Eduardo Coutinho, obra que se consolidou como um marco na memória da luta pela terra no país.