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Mulher é condenada por matar irmãos com ovo envenenado

Crime ocorreu após ovo de Páscoa com chumbinho ser enviado à casa da mãe das vítimas, segundo a acusação

Jordelia Pereira Barbosa, de 35 anos, foi presa na cidade de Santa Inês, na região do Médio Mearim. (Foto: Reprodução)
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247 - Jordélia Pereira Barbosa foi condenada a 66 anos de prisão, em regime fechado, pelo envenenamento que matou duas crianças em Imperatriz, no Maranhão, após o envio de um ovo de Páscoa contaminado à casa da família. As informações são do g1.

A decisão foi proferida na madrugada desta terça-feira, 23, pelo Tribunal do Júri. As vítimas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, que morreram depois de consumir o chocolate. A mãe das crianças, Mírian Lira, também ingeriu o doce, ficou internada por dias em uma UTI, mas sobreviveu.

De acordo com a acusação, o ovo de Páscoa enviado à residência continha chumbinho, um pesticida usado clandestinamente no Brasil para matar ratos. O crime ocorreu em abril do ano passado e, segundo a investigação, foi motivado por ciúme e vingança. Jordélia era ex-namorada do companheiro de Mírian à época.

A Justiça determinou o cumprimento imediato da pena, manteve a prisão preventiva da condenada e negou o direito de recorrer em liberdade. A sentença também estabeleceu o pagamento de indenização por danos morais às vítimas e aos familiares.

Investigação apontou premeditação

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Maranhão e aceita pela 3ª Vara Criminal de Imperatriz. A acusação ficou a cargo da 8ª Promotoria de Justiça de Imperatriz, sob responsabilidade do promotor Tiago Quintanilha Nogueira.

Segundo as investigações, Jordélia teria planejado o crime antes de enviar os chocolates contaminados à família de Mírian Lira Rocha. A apuração apontou que ela viajou de Santa Inês a Imperatriz, hospedou-se em um hotel usando nome falso e contratou um motoboy para entregar os ovos de Páscoa.

Os chocolates chegaram acompanhados de um bilhete com a mensagem: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”.

Para a acusação, o conjunto de ações demonstrou premeditação. A Justiça reconheceu as qualificadoras sustentadas pelo Ministério Público, entre elas motivo torpe, pelo ciúme e vingança, uso de veneno, dissimulação e crime praticado contra vítimas menores de 14 anos.

Duas crianças morreram e mãe sobreviveu

Luiz Fernando Rocha Silva e Evillyn Fernanda Rocha Silva não resistiram após consumir o chocolate envenenado. A mãe deles, Mírian Lira, também foi intoxicada e precisou de atendimento intensivo, mas conseguiu sobreviver.

O caso teve grande repercussão no Maranhão pela forma como o crime foi executado e pelo fato de as vítimas serem crianças. Conforme a denúncia, a família recebeu o ovo de Páscoa sem saber que o alimento estava contaminado.

Jordélia Pereira Barbosa estava presa há mais de um ano em uma unidade prisional feminina em São Luís. Durante a tramitação do caso, a Justiça considerou que não havia indícios de que ela fosse incapaz de responder pelos próprios atos.

Ré negou ter colocado veneno no chocolate

Durante a investigação, Jordélia admitiu ter comprado o ovo de chocolate e enviado o produto a Mírian Lira, mas negou ter contaminado o doce. Ela atribuiu a responsabilidade a terceiros.

A versão apresentada pela acusada foi considerada infundada pela Justiça. Jordélia foi acusada de duplo homicídio, pelas mortes das duas crianças, e de tentativa de homicídio, em razão da intoxicação sofrida pela mãe delas.

Com a condenação, a Justiça fixou pena de 66 anos de prisão em regime fechado. A decisão encerra o julgamento em primeira instância, mas mantém a ré presa, sem autorização para recorrer em liberdade.