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O que se sabe sobre o caso misterioso da médica francesa morta e colocada em mala em João Pessoa

A Polícia Civil da Paraíba investiga um crime que envolve a morte da médica francesa aposentada Chantal Etiennette

À esquerda, francesa morta, e no lado direito o namorado dela, suspeito do crime, e que também foi encontrado morto, na Paraíba (Foto: Polícia Civil)

247 - A Polícia Civil da Paraíba investiga um crime que envolve a morte da médica francesa aposentada Chantal Etiennette, de 73 anos, encontrada carbonizada dentro de uma mala em João Pessoa. As informações foram divulgadas pelo g1, com base nas apurações das autoridades locais.

Segundo a investigação, o principal suspeito do assassinato é o namorado da vítima, o brasileiro Altamiro Rocha dos Santos, que foi encontrado morto no dia seguinte ao crime, em circunstâncias igualmente violentas. O caso é tratado como feminicídio, enquanto a morte do suspeito segue sob investigação.

De acordo com a Polícia Civil, o corpo de Chantal foi localizado na quarta-feira (11), no bairro de Manaíra. Ela havia sido colocada dentro de uma mala e, posteriormente, teve o corpo incendiado em via pública. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o suspeito transporta a mala com o corpo da vítima tanto no elevador do prédio onde o casal vivia quanto em ruas da cidade.

Outros registros mostram o instante em que um homem ateia fogo na mala, já na calçada de um imóvel. Esse indivíduo, identificado como uma pessoa em situação de rua, teria recebido drogas em troca da ação e ainda não foi localizado pela polícia.

Chantal Etiennette era médica aposentada e de nacionalidade francesa. Após encerrar sua carreira, decidiu viver em João Pessoa, onde mantinha uma vida confortável. Segundo a investigação, ela possuía uma renda mensal estimada em cerca de R$ 40 mil, oriunda de aposentadoria no exterior, e ajudava financeiramente o companheiro, que não tinha renda fixa.

O relacionamento entre os dois teria começado após se conhecerem na orla da cidade, onde Altamiro trabalhava vendendo artesanato. Durante a pandemia, ele passou a morar com a vítima, e o vínculo evoluiu para um relacionamento amoroso.

As investigações apontam que o crime pode ter sido motivado por conflitos relacionados ao uso de drogas por parte do suspeito, comportamento que não era aceito pela vítima. Embora vizinhos tenham relatado uma discussão recente, a polícia afirma que não há indícios de brigas frequentes.

Perícias realizadas no apartamento onde o casal vivia identificaram vestígios de sangue, reforçando a hipótese de que o assassinato ocorreu dentro do imóvel. A dinâmica completa do crime ainda está sendo detalhada.

A Polícia Civil também confirmou a participação indireta de um terceiro indivíduo, responsável por incendiar o corpo. De acordo com o delegado responsável pelo caso, essa pessoa deve ser ouvida, mas não necessariamente responderá criminalmente, já que não teria envolvimento direto no homicídio.

O delegado Thiago Cavalcanti explicou que o consulado da França no Brasil já foi acionado para localizar os familiares da vítima e viabilizar o traslado do corpo. Segundo ele, o processo depende da formalização de um representante legal por parte da família.

O corpo de Chantal permanece no Instituto de Polícia Científica da Paraíba, onde passa por exames complementares enquanto aguarda liberação.Já o suspeito do crime foi encontrado morto na quinta-feira (12), no bairro João Agripino, com sinais de extrema violência: mãos e pés amarrados e uma lesão profunda no pescoço. A principal linha de investigação é que o homicídio tenha sido cometido por integrantes de uma facção criminosa, possivelmente incomodados com a repercussão do caso e a presença policial na região. Até o momento, ninguém foi preso.

A cronologia levantada pela polícia indica que a vítima foi vista pela última vez no sábado (7), ao retornar para casa. Dias depois, o suspeito foi flagrado adquirindo álcool e, na noite de terça-feira (10), transportando a mala com o corpo. Já na madrugada de quarta-feira (11), o corpo foi incendiado.

Segundo o delegado Thiago Cavalcanti, os elementos reunidos até agora indicam que a vítima já estava morta na manhã de terça-feira (10). As investigações seguem em andamento para esclarecer todos os detalhes e responsabilizar os envolvidos.