Representante de Suape em missão asiática é réu em caso de corrupção
Assessor da presidência do Porto de Suape, em Pernambuco, integra viagem oficial à Indonésia, Singapura e Malásia e responde a ação por fraude em licitação
247 - Um dos representantes do Complexo Industrial Portuário de Suape em missão oficial na Ásia responde a um processo por corrupção na Justiça. O advogado Alexandre Cardoso, assessor especial da presidência do complexo, integrou a comitiva que participou de agendas institucionais e comerciais na Indonésia, em Singapura e na Malásia.
A presença de Cardoso na viagem foi registrada em uma foto divulgada nas redes sociais pelo presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto. Na publicação, ele descreveu a composição da delegação: “O diretor Jurídico de Suape, João Paiva, o assessor especial da presidência, Alexandre Cardoso, e o secretário da Frente Parlamentar Mista Brasil-Asean, Alex Kawano, me acompanharam na missão.”
Segundo Bisneto, a agenda internacional começou em 19 de fevereiro e incluiu encontros voltados à ampliação das relações comerciais e à internacionalização do complexo portuário pernambucano. “Para marcar o último dia da Missão Comercial Suape-Brasil-Asean na Indonésia, realizamos, na última sexta-feira (27), em Jacarta, intensa agenda para ampliar a internacionalização do Complexo de Suape e posicionar Pernambuco de forma ainda mais estratégica no cenário global, em conformidade com as premissas da governadora Raquel Lyra”, afirmou.


Alexandre Cardoso ocupa cargos em Suape desde maio do ano passado. Antes de assumir funções no porto, ele atuou na Prefeitura de Ipojuca e passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades em contratos públicos. As apurações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco e por promotorias criminais do município.
Em dezembro de 2024, a Operação Patranha cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra empresários e servidores suspeitos de fraudar atas de registro de preços para vender produtos superfaturados, incluindo materiais gráficos. Entre os contratos investigados estão acordos firmados pela prefeitura entre 2021 e 2023.
Em um dos casos citados nas apurações, a gestão municipal adquiriu seis milhões de adesivos destinados a turistas — quantidade cerca de 60 vezes superior à população da cidade, estimada em 105 mil habitantes. Na época, Cardoso ocupava o cargo de secretário municipal de Administração, Logística e Recursos Humanos e segue investigado nesse inquérito.
Além disso, ele é réu em outra ação judicial ao lado da então prefeita Célia Sales e do próprio município de Ipojuca. O processo trata de suposto abuso de poder em uma licitação do setor gráfico apontada como fraudulenta. Antes de se tornar secretário municipal, Cardoso também atuou como procurador-geral adjunto da cidade entre 2017 e 2019.
O Governo de Pernambuco foi procurado mas não se manifestou até o fechamento da reportagem. O espaço continua aberto para manifestação.