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40 mil livros jogados no lixo por prefeitura bolsonarista são recuperados

O caso, que gerou forte repercussão, é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, que apura possível dano ao patrimônio público e cultural.

40 mil livros jogados no lixo por prefeitura bolsonarista são recuperados (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

247 - Os cerca de 40 mil livros que haviam sido descartados do acervo da Biblioteca Municipal de Osasco foram recuperados nesta quarta-feira (29) e estão agora armazenados no almoxarifado da Central de Educação do município. O caso, que gerou forte repercussão, é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo, que apura possível dano ao patrimônio público e cultural.

A recuperação do material ocorre após a Prefeitura bolsonarista de Osasco, comandada por Gerson Pessoa (Podemos) contratar um instituto especializado para realizar uma avaliação técnica das condições dos exemplares. O objetivo é verificar a viabilidade de restauração e preservação dos livros, muitos dos quais podem ter valor histórico e cultural relevante.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram os livros acondicionados de forma inadequada, armazenados em grandes sacos plásticos, o que levanta dúvidas sobre as condições de conservação e possíveis danos ao acervo. Até o momento, não há informações oficiais sobre quem autorizou ou executou o descarte, nem as razões que motivaram o descarte.

Paralelamente, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para investigar a possível perda irreparável de bens culturais, incluindo documentos históricos e obras de interesse coletivo. O órgão também apura eventual dano moral à sociedade decorrente do descarte.

Entre as medidas adotadas, o MP requisitou à prefeitura acesso a documentos que possam justificar a decisão, como procedimentos administrativos, pareceres técnicos e estudos que indiquem contaminação por fungos ou inviabilidade de recuperação das obras. Também foram solicitadas avaliações microbiológicas, relatórios biblioteconômicos e laudos de conservação.

A investigação inclui ainda a identificação de agentes públicos, comissões ou órgãos responsáveis pela autorização, execução e supervisão do descarte do acervo.

De acordo com apuração do Ministério Público, a Biblioteca Monteiro Lobato estava fechada desde 2020, sob a justificativa de reforma, o que pode ter contribuído para a deterioração das obras ao longo do tempo.

O caso chegou ao MP após denúncia do Coletivo JuntOz, grupo com atuação na Câmara Municipal de Osasco. Vinculado ao Partido dos Trabalhadores e ao movimento Revide, o coletivo é representado pelo vereador Heber Farias.

A depender dos resultados das análises técnicas e das investigações em curso, o episódio pode ter desdobramentos administrativos e judiciais, além de impactar políticas públicas de preservação do patrimônio cultural no município.

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