Abastecimento de água é preocupante no Rio
Escassez de chuva e a elevação do preço da energia elétrica: dois inimigos aguardados para o próximo verão, que começa em dezembro; o abastecimento de água continua delicado, embora desde o início de setembro tenha chovido mais do que a média histórica no estado de São Paulo, onde fica o reservatório de Paraibuna, o principal do sistema que abastece 9,4 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio; segundo especialistas, não basta chover, pois a estiagem dos últimos anos secou tanto os solos que seriam necessários vários períodos de índices pluviométricos altos e constantes para começar a mudar a situação
Rio 247 – Escassez de chuva e a elevação do preço da energia elétrica: dois inimigos aguardados para o próximo verão, que começa em dezembro. O abastecimento de água continua delicado, embora desde o início de setembro tenha chovido mais do que a média histórica no estado de São Paulo, onde fica o reservatório de Paraibuna, o principal do sistema que abastece 9,4 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio.
Autoridades não descartam a possibilidade de racionamento no Rio, justamente no período das Olimpíadas, de acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirma que não basta chover. A estiagem dos últimos anos secou tanto os solos que seriam necessários vários períodos de índices pluviométricos altos e constantes para começar a mudar a situação.
“O clima é de apreensão, muita apreensão”, disse o diretor-executivo da Associação Pró-Gestão da bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Agevap), André Luis de Paula Marques.
“O cenário não é bom, as previsões não são boas. Vamos pedir autorização para diminuir mais a vazão que sai da represa de Paraibuna, para segurar a água o quanto for possível (na quarta-feira, o nível estava em 1,21%). De preferência, evitar a entrada no volume morto até dezembro”, acrescentou.
O El Niño, fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, também é preocupante. A previsão é que, este ano, a temperatura fique quatro graus acima das médias históricas para verões. Segundo o pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ Paulo Carneiro, o cenário não é nada animador.
"Hoje ninguém sabe como vai ser o próximo verão. O El Niño joga mais um elemento na imprevisibilidade da situação. São muitas chuvas em alguns locais e poucas em outros. Não há a garantia de que as chuvas de verão vão encharcar o solo e melhorar reservatórios", disse. "O problema na Região Metropolitana do Rio vai ficar bem claro se o próximo verão for pouco chuvoso. Houve um pré-anúncio dessa situação em 2003/2004, mas a demanda saiu da agenda do poder público. Houve um relaxamento".