Apontada como traidora e infiltrada, Tábata revela sua admiração por Lemann

“Eu admiro o Jorge Paulo Lemann. Sabe, a gente tem uma das maiores empresas do mundo que tem brasileiros no poder. Eu acho que aí que a esquerda erra. Qual é o problema disso?”, perguntou. “Eles têm uma pauta? Têm. Mas todo mundo tem pauta", diz a deputada, que votou pela reforma da Previdência e agradou os bilionários

Tabata Amaral e Jorge Paulo Lemann
Tabata Amaral e Jorge Paulo Lemann (Foto: Câmara | Reuters)

247 – A deputada Tábata Amaral (PDT-SP), que é apoida por bilionários e milionários como Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, Nizan Guanaes, publicitário do Itaú, Luciano Huck, apresentador do Globo, e Patrice Etlin, investidor, defendeu sua relação com os ricos e negou ser traidora da esquerda – embora tenha votado a favor da reforma da Previdência, que deixa os pobres mais distantes da aposentadoria e garante recursos para o rentismo da dívida pública. É o que aponta perfil publicado pela jornalista Amanda Audi, no Intercept. Confira, abaixo, um trecho:

Quando a questionei a respeito, a deputada disse que ter o apoio de megaempresários com interesses políticos não tolhe a sua independência parlamentar. “Eu vejo essas pessoas com frequência, tenho carinho por elas, mas não me encontro com elas fora de contextos sociais. Não tem ninguém me mandando mensagem, ligando, me enchendo o saco”, me disse. “Eu admiro o Jorge Paulo Lemann. Sabe, a gente tem uma das maiores empresas do mundo que tem brasileiros no poder. Eu acho que aí que a esquerda erra. Qual é o problema disso?”, perguntou.

“Eles têm uma pauta? Têm. Mas todo mundo tem pauta. E eu acho que me resguardo porque recebi doações de 429 pessoas diferentes e nenhuma delas foi de mais de 9% do total [gasto na campanha]. Recebi dinheiro de gente da esquerda e da direita, com agendas e pontos de vistas conflitantes”, continua.

Três dos maiores doadores de Amaral são sócios da rede de ensino particular Ânima, uma das principais do país – que abriga em seus negócios a HSM, empresa que fez Paulo Guedes ser investigado por suspeita de negociações fraudulentas em investimentos na educação. Ela recebeu, ao todo, R$ 150 mil de três membros da diretoria do grupo.

Perguntei se o apoio de um grupo de ensino privado poderia interferir de alguma maneira em seus posicionamentos políticos. “Eu gastei um terço da minha campanha pedindo dinheiro. Foi um esforço muito grande, eu não tinha um doador que pagou tudo, não tinha um partido que pagou tudo. Tive que me encaixar em mais de 50 jantares. Consegui levantar mais de R$ 1 milhão de forma honesta, diversificada e sem amarras”, respondeu. A deputada diz ainda que é contra a privatização do ensino público – o uso de vouchers para famílias pobres estudarem em particulares, é uma ideia defendida pelo seu colega de RenovaBR Vinícius Poit, do Partido Novo.

Os outros maiores doadores de Tabata foram o PDT (R$ 100 mil); o empresário Patrice Etlin, da consultoria de investimentos Advent (R$ 90 mil), que, junto com o irmão, doou para mais de 20 candidatos; e o publicitário Nizan Guanaes (R$ 79,5 mil), que fez as campanhas dos tucanos Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e José Serra (2002). Por financiamento coletivo, ela conseguiu R$ 58,1 mil.

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