As viagens de Cabral

Enquanto a população carioca sofre diariamente nos ônibus lotados, o governador Sérgio Cabral passeia pelos céus do Rio de Janeiro em helicóptero de propriedade do estado

Enquanto a população carioca sofre diariamente nos ônibus lotados, nos trens abarrotados, nas barcas em péssimas condições, no  metrô que não funciona, o governador Sérgio Cabral passeia pelos céus do Rio de Janeiro em helicóptero de propriedade do estado.

Comprados com dinheiro público, os 8 helicópteros oficiais, conforme amplamente divulgado pela mídia, são utilizados para levar Cabral de sua casa, no abastado bairro do Leblon, até o Palácio das Laranjeiras,  sede do Governo, percorrendo um trajeto de apenas dez quilômetros, em um voo que dura três minutos!

Nos fins de semana, o governador do estado usa o helicóptero oficial para levar a esposa, os filhos, babás, amigos e até o cachorro Juquinha para sua propriedade particular,  em Mangaratiba, no que já ganhou as ruas como "voo da alegria".

Apesar da desfaçatez,  do desprezo,  do pouco caso com o povo que essa atitude de Cabral revela, há muitas outras irregularidades cometidas por esse senhor.

Eu poderia citar o episódio conhecido como  "Escândalo dos Guardanapos", em que o governador Sérgio  Cabral, junto com  Fernando Cavendish, então dono da construtora Delta, e outros integrantes do governo do estado foram fotografados dançando com guardanapos na cabeça no restaurante mais caro de Paris.

Poderíamos lembrar as fraudes na saúde, os carros superfaturados alugados para a Secretaria  Estadual  de Segurança, ou  ainda  as UPAs, faturadas a preço de ouro, que não passam de latões onde as pessoas são atendidas.

Mas há ainda algo de muito mais grave: são as inúmeras viagens internacionais, quase semanais, que Cabral fez e faz ao exterior, as viagens de Cabral pelo mundo. Por diversas vezes o governador se ausentou do estado e do País sem a autorização da Assembleia Legislativa, viajou em avião de empresário, viajou em companhia de empreiteiros. Mas continua impune.

Minha filha, a deputada estadual Clarissa Garotinho, entrou com um requerimento na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro pedindo informação sobre tais viagens do Cabral. O requerimento foi negado, sob o argumento de que a informação era referente a órgão federal e, portanto, teria de ser solicitada por um deputado federal.

Dessa forma, apresentei pedido de informação ao então presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia. Ele indeferiu o pedido. Recorri então ao Plenário, mas uma "tropa de choque" do PMDB, liderada pelo deputado federal Eduardo Cunha, rejeitou o requerimento.

Dirigi o pedido à Secretaria da Aviação Civil, que  me encaminhou à Infraero. Na Infraero, me disseram que o assunto se referia à Anac. Na Anac, fui informado de que o assunto dependeria do Departamento de Imigração da Polícia Federal. Fui, então, ao encontro do  ministro José Eduardo Cardozo, protocolei o pedido pessoalmente e  conversei com o ministro. Transcorrido o prazo determinado pela Lei da Transparência, obtive a seguinte resposta: "as informações são  sigilosas". São informações  sigilosas as viagens de um governador de estado para fora do País? São  confidenciais os dados que constam do Departamento de Imigração da Polícia Federal?

As irregularidades e os atos abusivos praticados pelo governador do Rio são inadmissíveis. Espero que agora, diante do novo escândalo dos voos de Cabral, a Câmara dos Deputados tome uma atitude, e o Governo Federal me forneça as informações que há um ano e meio venho solicitando, com vistas a esclarecer as viagens de Cabral.

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