Assassinatos pela polícia aumentam 20% no primeiro ano de Tarcísio
Ministério Público de São Paulo registrou um total de 366 mortes decorrentes de intervenção policial durante o mandato de Tarcísio, um aumento de 20% em relação ao ano anterior
247 - Em seu primeiro ano à frente do governo do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-militar e representante do partido Republicanos, defronta-se com um aumento significativo na letalidade provocada pela polícia, um dos pontos críticos na área de segurança pública: um incremento de 20% nas mortes causadas por intervenção policial, marca da gestão de Tarcísio, destaca o jornal O Globo.
Este aumento, registrado desde o início do mandato, contrapõe-se às promessas de mudança na abordagem da segurança pública feitas por Tarcísio, que nomeou um ex-policial expulso da Rota por seu histórico de atuação ostensiva e letal. Durante uma coletiva de imprensa após a apresentação dos resultados de sua administração em 2023, o governador expressou sua insatisfação com os resultados alcançados na área da segurança.
O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público de São Paulo, registrou um total de 366 mortes decorrentes de intervenção policial durante o mandato de Tarcísio, um aumento de 20% em relação ao ano anterior, marcando uma interrupção em três anos consecutivos de declínio na letalidade policial.
No decorrer de doze meses de gestão, o governador reduziu os recursos destinados às câmeras corporais utilizadas pelos policiais e endossou uma operação no litoral paulista, que se tornou a mais letal do estado desde o trágico massacre do Carandiru, em 1992. Além disso, observou-se um aumento no número de feminicídios e um agravamento dos problemas de insegurança no Centro de São Paulo.
Embora alguns indicadores tenham apresentado queda em comparação a 2022, como os homicídios dolosos (11%), latrocínios (1,48%), roubo de veículos (6,9%) e roubo de carga (5,5%), os furtos aumentaram 3,3%, impactando diretamente na sensação de insegurança da população, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
A polêmica Operação Escudo, desencadeada após o assassinato de um soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), resultou em 28 dessas mortes, gerando tensões e alegações de "graves excessos no uso da força e execuções sumárias com disparo de armas de fogo", segundo um relatório do Conselho Nacional de Direitos Humanos. Testemunhos de 11 moradores de comunidades do Guarujá e de Santos corroboraram tais denúncias.
A falta de câmeras corporais acopladas aos uniformes de parte dos policiais durante o referido confronto gerou questionamentos, especialmente considerando o corte de 37% no orçamento destinado a esses equipamentos. Tarcísio defendeu a ação da Polícia Militar, negando quaisquer "excessos", enquanto a SSP afirmou que as mortes decorrentes de intervenção policial estão associadas à ação de criminosos que optaram pelo confronto.