Caso Adriano da Nóbrega: Janaina Paschoal critica Bolsonaro por acusações contra a polícia
A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) criticou Jair Bolsonaro, após ele acusar a polícia de execução do miliciano Adriano da Nóbrega Silva. "Não era o Presidente que queria estender as excludentes?"
247 - Depois de afirmar que nunca foi "bolsonrarista", a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) voltou a criticar Jair bolsonaro, após ele acusar a polícia de execução do miliciano Adriano da Nóbrega Silva. "Esse país surpreende todo dia. Nunca imaginei testemunhar o Presidente acusando a Polícia de execução e um grupo de governadores (muitos esquerdistas) sustentando que a Polícia agiu no estrito cumprimento do dever legal!", disse a parlamentar no Twitter.
"Mas não era o Presidente que queria estender as excludentes? E não eram os esquerdistas que acusavam a 'legalização da matança'? Hum...", escreveu. "De todo modo, na dúvida, melhor não permitir cremar o corpo do falecido Adriano e constituir uma comissão mista para investigar o crime (Polícias locais, Polícia Federal, MPE e MPF)".
Adriano da Nóbrega Silva morreu no começo deste mês, baleado pela polícia. Uma das interpretações é a de que houve "queima de arquivo" e não uma troca de tiros, pois o miliciano foi citado em duas investigações que atormentam a família Bolsonaro: uma é sobre a morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e outra acerca de um esquema de corrupção no gabinete do atual senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) quando o parlamentar era deputado estadual no Rio.
O miliciano integrava o Escritório do Crime, um grupo de matadores profissionais do Rio e que é suspeito de envolvimento com a morte de Marielle Franco, assassinada a tiros na região central do Rio em março de 2018 pelo crime organizado. Os bandidos efetuaram os disparos em um lugar sem câmeras e haviam perseguido o carro dela por cerca de três, quatro quilômetros.
A então vereadora era ativista de direitos humanos e denunciava a violência cometida por policiais nas favelas, bem como a atuação de milícias nas periferias.
Outro detalhe é que a mãe e a esposa de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. O próprio parlamentar fez homenagens ao ex-capitão.
De acordo com registros da Alerj, o filho do presidente Jair Bolsonaro foi o único a votar contra a proposta do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), atual deputado federal, para conceder a medalha Tiradentes em homenagem à vereadora quando o pessolista ocupava um cargo no Legislativo do estado do Rio.
Em março, foram presos dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar.
Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Queiroz havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado.