Chuvas: alerta máximo em 11 municípios do Rio
Onze municípios fluminenses estão em alerta máximo por causa do aumento do nível de rios; segundo o Instituto Estadual do Ambiente, que faz o monitoramento dos rios no estado, o alerta máximo é o mais grave em uma escala de quatro níveis, que significa que há previsão de continuidade da chuva e o nível de rios já atingiu 80% da cota de transbordamento
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Onze municípios fluminenses estão em alerta máximo por causa do aumento do nível de rios. Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que faz o monitoramento dos rios no estado, o alerta máximo é o mais grave em uma escala de quatro níveis, que significa que há previsão de continuidade da chuva e o nível de rios já atingiu 80% da cota de transbordamento.
Entre os municípios em alerta máximo, quatro estão na Baixada Fluminense. O Rio Sarapuí ameaça as cidades de Nilópolis, Mesquita, Belford Roxo e Duque de Caxias. Os dois últimos municípios também são ameaçados pelo Rio Capivari.
O Inea também decretou estágio de alerta (o segundo mais grave) para os rios Iguaçu (que corta Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Belford Roxo), Pavuna (que corta São João de Meriti) e Saracuruna (que corta Duque de Caxias).
Na Região Serrana, a cheia do Rio Quintandinha coloca Petrópolis em alerta máximo. Em Teresópolis, o Inea decretou estágio de alerta para o Rio Paquequer.
No norte fluminense, o alerta máximo vale para os rios Muriaé, que passa pelas cidades de Laje do Muriaé, Itaperuna, Cardoso Moreira e Italva; Carangola, que corta o município Porciúncula; e Itabapoana, que passa por Bom Jesus do Itabapoana.
Homem morre no Norte do Rio
Um homem morreu e uma criança de 12 anos está desaparecida no município de Bom Jesus de Itabapoana, devido à chuva forte que atinge o norte do estado do Rio de Janeiro. Segundo Alexandre Alcântara, da Defesa Civil municipal, uma tubulação que capta água da chuva do município para despejá-la no Rio Itabapoana rompeu-se no final da noite de ontem (12).
Com o rompimento da tubulação, uma grande cratera se abriu e ficou coberta pela água. Dois carros caíram no buraco. Um corpo foi encontrado e uma criança de 12 anos desapareceu. "A tubulação foi afetada pelas águas que são captadas na serra, no Arraial Novo.
As enxurradas que caem lá, passam pela tubulação e desembocam no Rio Itabapoana. Ela se rompeu pelo grande volume de água que passou por lá", explicou Alexandre Alcântara.
Segundo ele, o nível do Rio Itapaboana já passou de 3,30 metros – mais de um metro da cota de transbordamento, que varia de 1,90 a 2,10 metros. Por isso, algumas localidades sofreram com as inundações. Até agora, seis famílias deixaram suas casas, mas o número deve subir, de acordo com Alcântara.
O superintendente da Defesa Civil estadual, Luiz Guilherme, disse que o norte do estado é agora a grande preocupação, pois a chuva que atingiu o Grande Rio ontem se desloca para a região. Além disso, a chuva em Minas Gerais provoca o aumento dos rios que cortam o norte fluminense.
"Aqui no [Grande] Rio, a tendência da chuva é dar uma melhorada e os rios voltarem a suas calhas normais até a tarde de amanhã. O norte e o noroeste fluminense são a nossa próxima preocupação em função dessa chuva [que se desloca para lá] e mais ainda em função das chuvas que caem em Minas Gerais e afetam nossos rios Muriaé, Carangola e Itabapoana", disse o superintendente.
A Defesa Civil também confirmou a morte de dois homens na noite de terça-feira (10) na Baixada Fluminense. Eles foram arrastados pelo Rio Botas, que subiu de nível com o temporal.
Cheia de rio na Baixada
O subsecretrário de Defesa Civil do Rio, Márcio Motta disse hoje (12) que o órgão está investigando as causas que provocaram o alagamento na região de Irajá, zona norte da capital fluminense. De acordo com Motta, as localidades do entorno sempre registraram bolsões de água devido as fortes chuvas. No entanto, ele admitiu que dessa vez houve demora no escoamento do Rio Acarí, que corta vários bairros da zona norte da cidade.
"O rio permaneceu bem alto mesmo após a chuva forte. Estamos ainda investigando, mas achamos que a questão da Baixada Fluminense estar com os níveis dos rios bastante altos, e muitos deles tendo que passar pelo município do Rio até desaguar na Baía de Guanabara, pode ser um dos motivos que provocaram esse alagamento todo", disse o subsecretário. Ele ressaltou que a Defesa Civil recebeu cerca de 600 solicitações para atendimento.
"Boa parte dessas ocorrências já foram atendidas e esperamos atender a todas. Os bairros da zona norte foram os mais afetados, pois existem muitos complexos com áreas de encostas que chamam atenção pelas suas características geográficas, pela sua declividade e onde os sistemas de alarmes foram acionados", acrescentou o subsecretário.
Ontem também foi difícil para quem tentou utilizar o transporte público na cidade. As principais vias expressas da cidade foram alagadas e muitas pessoas ficaram presas no trânsito, sem conseguir chegar em seus locais de trabalho. O diretor da Supervia, concessionária que administra o serviço de trens no Rio, Thiago Nery, disse que técnicos trabalharam durante a madrugada para restabelecer o serviço nas estações de São FranciscoXavier e de Olaria, ambas na zona norte, que tiveram suas atividades interrompidas em decorrência do temporal.
"Nós enfrentamos muitas dificuldades nas regiões de Bonsucesso, Manguinhos e Pavuna, na zona norte, e também em São João de Meriti, Queimados e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Isso nos levou a interromper a circulação dos dois ramais da Supervia, Belford Roxo e Saracuruna, durante seis horas, no período da manhã. Após a chuva, nós trabalhamos com o escoamento dessa água e agora pela manhã todo oserviço funciona normalmente", disse Nery.
Quem passou pela Via Binário, construída para desafogar o tráfego durante o processo de substituição do Elevado da Perimetral, na zona portuária da cidade, também enfrentou alagamento por causa da chuva. Segundo o diretor da concessionária Porto Novo, que administra a Via Binário, José Renato Pontes, o incidente ocorreu porque o sistema de drenagem da via ainda não está pronto e a capacidade de bombeamento instalada não foi suficiente.