Chuvas devem perder força em Juiz de Fora, mas risco de deslizamentos mantém cidade em alerta
Especialistas indicam que o volume de chuva deve diminuir gradualmente
247 - Após dias de temporais severos que provocaram destruição e vítimas na Zona da Mata Mineira, a cidade de Juiz de Fora começa a apresentar sinais de mudança no cenário meteorológico. Segundo informações divulgadas pelo portal g1, especialistas indicam que o volume de chuva deve diminuir gradualmente a partir do próximo fim de semana, embora o estado de alerta permaneça devido às condições ambientais críticas.
A região foi a mais afetada pelas chuvas intensas em Minas Gerais nesta semana. Somando os impactos registrados em Juiz de Fora e na cidade vizinha de Ubá, há ao menos 55 mortos e desaparecidos, evidenciando a gravidade do desastre climático enfrentado pela Zona da Mata.
Sistema de chuva começa a se deslocar
De acordo com meteorologistas ouvidos pela reportagem, o sistema de baixa pressão responsável pelas precipitações intensas começa a se afastar da região a partir de sábado (28). A tendência é que a instabilidade migre em direção ao Norte de Minas Gerais, ao Espírito Santo e a áreas do Centro-Oeste brasileiro.Ainda pode chover durante a manhã de sábado, mas a previsão aponta redução significativa da intensidade entre a tarde e o domingo. Mesmo com a diminuição em Juiz de Fora, outras regiões do país ainda devem enfrentar volumes relevantes de chuva.
Especialistas explicam que dois fatores principais contribuem para essa mudança no padrão climático: o enfraquecimento do corredor de umidade proveniente do Norte do Brasil e a influência do relevo local, que inicialmente favoreceu a concentração das tempestades.Relevo intensificou os temporais
A configuração geográfica da Zona da Mata Mineira teve papel determinante na gravidade do episódio. Cercada por serras e morros, com altitudes que variam de aproximadamente 470 metros a quase 1.000 metros, Juiz de Fora funciona como um vale natural capaz de reter nuvens carregadas quando sistemas meteorológicos atingem a região.Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que já choveu mais de 740 milímetros desde o início do mês — o maior volume mensal registrado na cidade desde 1961.
Solo encharcado mantém risco elevado
Apesar da expectativa de melhora gradual do tempo, especialistas alertam que o perigo não terminou. O excesso de água acumulada no solo aumenta significativamente o risco de novos deslizamentos e alagamentos, mesmo com chuvas mais fracas.O meteorologista Fábio Luengo reforça que o momento exige atenção redobrada da população.— "Mesmo com a diminuição da intensidade da chuva no fim de semana, a atenção para novos deslizamentos de terra deve permanecer máxima, pois o solo encontra-se extremamente saturado e encharcado. Essa condição geológica mantém o perigo, independentemente de a chuva ser isolada ou de menor volume nos próximos dias"
O alerta também foi reforçado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que considera muito alta a possibilidade de permanência ou surgimento de enxurradas, inundações e alagamentos em áreas com drenagem urbana deficiente.
Impactos ainda preocupam autoridades
Diversos bairros registraram deslizamentos que invadiram casas e edifícios, evidenciando o impacto direto da saturação do terreno.
Equipes da Defesa Civil seguem monitorando encostas e orientando moradores de áreas vulneráveis a deixarem locais considerados inseguros.Mesmo com o deslocamento das chuvas, especialistas destacam que os próximos dias serão decisivos para avaliar a estabilidade do solo e evitar novas tragédias.
Perspectiva para março traz alívio parcial
No curto prazo, a previsão meteorológica indica cenário menos extremo. Até a primeira semana de março, não há indicativos de retorno de sistemas capazes de provocar precipitações tão intensas quanto as registradas recentemente em Minas Gerais.— "Por enquanto, não há previsão de novas condições para chuvas tão intensas na região de Minas Gerais. Até a primeira semana de março, a tendência é de que não tenhamos chuvas de grande"Apesar do alívio previsto, autoridades reforçam que o momento ainda exige cautela. O fim das chuvas mais fortes não significa o fim do risco, especialmente em regiões onde o solo permanece encharcado e instável após semanas de precipitações acima da média histórica.


