Clima amplia contrastes de duas cidades maravilhosas

Rio e Paris se admiram e se identificam, mas nunca estiveram to diferentes como agora; aqui, os termmetros chegaro hoje casa dos 36 graus; l, no inverno mais rigoroso dos ltimos 30 anos, mergulham a mais de dez graus negativos; com sol e neve, problemas e solues, esses dois cones mundiais amadurecem

247 – A admiração dos cariocas por Paris e dos parisienses pelo Rio é recíproca e histórica. Ambas as cidades são centros criadores e difusores de modas e modismos, servem como referência de charme e bom gosto em seus respectivos países e atraem fãs de todo o mundo, todos os anos, em busca de seus encantos naturais e tesouros culturais. Fazia tempo, porém, que o Rio e Paris não se mostravam tão diferentes entre si como agora, separadas por um contraste climático que desperta atenção entre especialistas e produz cenas em tudo diferentes.

Ponto central da Europa, Paris vai registrando, nos últimos dias, temperaturas que descem a menos de dez graus negativos, dentro do contexto da onda de frio que cobre todo o continente e já provocou mais de 200 mortes, especialmente no Leste Europeu, em países como a Ucrânia.

Umbigo do Brasil, para onde todos olham, o Rio também vai atravessando um verão que pode ser visto como atípico. A pacificação promovida nas comunidades fez efeito e está deixando os moradores cada vez mais seguros para usufruírem as belezas cariocas. A exemplo da Europa em que o frio mata, no entanto, por aqui também se verificou uma tragédia: a queda de três edifícios no centro da cidade registra, até agora, 15 vítimas fatais.

Neste paralelo de qualidades e defeitos, o certo é que o Rio é mais Rio debaixo do sol que faz hoje – e as imagens de Paris ganham anda mais charme quando a cidade está coberta pela neve, como acontece neste exato momento. Das duas cidades, os correspondentes 247 mostram como a vida vai avançando em meio aos rigores do clima. Acompanhe:

Paris em Estado de Atenção

O céu azul que cobre a Cidade Luz mascara uma sensação térmica de até - 20 graus, em razão dos fortes ventos glaciais. Por aqui, os hospitais estão lotados e o governo decretou estado de atenção em 39 departamentos – mas Paris resiste

Roberta Namour _ correspondente do 247 em Paris – Pela janela, o sol e céu azul nos fazem esquecer por um instante a temperatura de fora. Mas basta olhar para as pessoas que passam super agasalhadas pelas ruas, apenas com os olhos descobertos, e em passo ainda mais apertedado do que de costume para cair na real. A onda de frio intenso que se instalou na França ficou ainda mais aguda com a chegada de um vento glacial do nordeste europeu. Pela manhã, 39 departamentos em alerta.

A temperatura máxima é prevista para entre -3 e -7 graus nas planícies e -8 a -12 graus nas montanhas, segundo a Météo France. Na madrugada de sábado, a previsão é de que os termômetros baixem para até -14 graus.

Por questão de segurança, o governo pede para as pessoas só saírem em casos extremos. O vento pode produzir uma sensação térmica de até -8 graus, segundo especialistas. E por consequência, o sistema de calefação das casas gerou um consumo de eletricidade a níveis históricos no País. As principas vítimas dessa inversão térmica são os idosos e as crianças, que lotam as salas de espera dos hospitais.

Simples atividades, como fazer supermercado ou levar os filhos à escola, se tornam um transtorno. É preciso raspar a película de gelo que se forma durante a noite no vidro do carro para conseguir alguma visibilidade e deixá-lo ligado por ao menos 10 minutos para aquecer o motor.

O sistema de trens também foi afetado porque parte da linha férrea está congelada. E as competições esportivas, como a Ligue 2 e o rugby, serão interrompidas até segunda ordem.

Mas vale lembrar, que os vizinhos do leste europeu estão em situação ainda mais complicada. Com temperaturas que chegam a 30 graus Celsius (ºC) negativos, mais de 200 pessoas já morreram na Ucrânia, Polônia, Romênia, Áustria e Sérvia. Neste inverno, apesar de todos os seus problemas, Paris resiste.

Rio vai chegando à maturidade

As praias estão lotadas, mas aquela cidade pourra-louca, do tudo pode, agora se mostra mais madura, temperada por seus erros e acertos

Marco Damiani _Rio247 – As bandeiras dos times cariocas fincadas nas areias de Copacabana e Ipanema indicam que, aqui, o território é livre e democrático. Não importa para quem você torça, de onde você vem ou o que você faz. Nas areias das praias da Zona Sul, nesse verão de quase 40 graus, teu espaço está garantido. É chegar e tomar lugar. A tensão dos anos anteriores, quando os conflitos nos morros produziam cenas típicas de guerra civil, se dissipou. As ações policiais chamadas de pacificadoras deram resultado, e o carioca voltou a dominar na plenitude a sua cidade.

Mas a diferença deste para outros verão é um pouco mais profunda. Parece ter se ampliado entre as pessoas a consciência de que nem tudo pode, e de que é preciso, mesmo de maneira relaxada, manter uma certa vigilância para que o atual estado de tranquilidade se mantenha. Pelo carioca padrão, essa atenção em preservar a conquista da paz vai se traduzindo, no dia a dia, em mais cordialidade, mais respeito com o espaço do próximo. Pode parecer incrível, mas o Rio está, efetivamente, mais disciplinado. O jeitinho e o improviso, é claro, continuam tomando a frente das mais diferentes situações do dia a dia, mas um gosto novo pela regra cumprida com mais rigor, a tentativa mais autêntica de procurar fazer a coisa certa, essas ganharam um espaço que não existia antes.

No Rio de quase 40 graus, a cidade entra agora em alerta contra a dengue, especialmente nos subúrbios. Campanhas vão sendo desenvolvidas para que as pessoas, literalmente, cuidem do seu quintal, e não permitam a proliferação do mosquito transmissor da doença. Está dando certo. Nenhuma morte em decorrência da doença foi registrada desde agosto. Para o Rio, que sempre exibiu estatísticas mórbidas de dois dígitos, trata-se de uma grande vitória.

As ruas se mostram mais limpas, os gringos estão sendo menos assaltados e os preços se apresentam mais disciplinados. A cultura do levar vantagem em tudo está em baixa, e a importância de cumprir com mais atenção o papel de cidadão parece ganhar pontos entre cada um dos que estão por aqui. É o que o Rio passa.

 

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