Como jovem sobreviveu 3 dias à deriva esperando por resgate no litoral de SP
Bruna havia desaparecido no domingo, 24 de maio, ao lado de Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos
247 - Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, sobreviveu três dias à deriva em alto-mar após desaparecer durante um passeio de moto aquática em Ilhabela, no litoral de São Paulo. Resgatada com vida a cerca de 16 quilômetros da costa, ela surpreendeu equipes de busca e especialistas pela resistência física e psicológica em uma situação extrema. As informações são do Metrópoles.
Bruna havia desaparecido no domingo, 24 de maio, ao lado de Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, que seguia com ela na moto aquática. Ele ainda não havia sido localizado pela Marinha até a publicação da reportagem original. O caso mobilizou autoridades, pescadores e equipes náuticas, além de gerar questionamentos nas redes sociais sobre como a mulher conseguiu permanecer viva após tantas horas no mar.
O resgate ocorreu depois de aproximadamente 42 horas à deriva, em uma operação que chamou a atenção pela complexidade e pelo desfecho considerado raro. Especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que uma combinação de fatores pode ter contribuído para a sobrevivência de Bruna, entre eles as condições climáticas, o uso de colete salva-vidas, a resistência física e, sobretudo, a capacidade de manter a calma.
A meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, afirmou que o cenário climático da semana pode ter reduzido os riscos enfrentados pela vítima. Em situações de permanência prolongada no mar, a hipotermia é uma das principais ameaças, especialmente quando há queda acentuada de temperatura, vento e chuva.
Embora o ar ainda estivesse frio na região, as condições eram menos severas do que as registradas na semana anterior no litoral paulista. “Embora não houvesse mais a presença de ar de origem polar intenso no começo desta semana, o ar estava frio. Se fosse na semana passada, quando o ar estava mais frio e tivemos chuva frequente no litoral paulista, as condições para o corpo seriam piores”, disse Josélia.
Além do fator climático, especialistas destacaram o papel da força mental. O comandante Leonardo Nery, do 2º Pelotão de Bombeiros Náutico, afirmou que o controle psicológico é decisivo em situações de risco no mar, especialmente quando a vítima enfrenta medo, exaustão, frio, desidratação e perda da noção do tempo.
“O maior inimigo nessa questão de sobreviver é o psicológico”, afirmou Nery ao Metrópoles.
Segundo o comandante, Bruna teria demonstrado resiliência ao conseguir superar o pânico inicial e permanecer consciente durante boa parte do período em que ficou no mar. Para ele, essa reação pode ter sido determinante para evitar que a situação se agravasse rapidamente.
“Eu acredito que o maior inimigo nessa questão de sobreviver realmente é o psicológico, porque ele vai te abater. Primeiro você vai ter aquelas fases […] até a fase do afogamento, que é uma angústia; e o pânico, e depois você submerge. Eles estavam de colete, mas ela se manteve consciente em todo esse período. Tanto é que ela narra, ela perdeu um pouco a noção do tempo, o que era dia, ela lembra da noite, mas ela se perde um pouco em relação aos períodos. Então acredito que a primeira situação que aniquila a vítima nesse sentido é o psicológico, depois vem a questão do cansaço, a hipotermia, a desidratação, mas ela conseguiu sobreviver a isso tudo”, disse.
O estado em que Bruna foi encontrada também surpreendeu os profissionais envolvidos no atendimento. De acordo com Nery, apesar do trauma, ela apresentava condições melhores do que as esperadas para alguém submetido a um período tão prolongado de vulnerabilidade em alto-mar.
“Ela está bem, está orientada, apesar do trauma, […] conversando com os médicos que a atenderam, até surpreendeu a todos lá, porque ela realmente se encontra bem e esperamos que cada dia ela esteja melhor”, afirmou o comandante.
Após o resgate, Bruna permaneceu internada no Hospital Mario Covas, em Ilhabela. Em nota, a prefeitura informou que, depois de exames de controle e avaliação da equipe médica, ela apresentou evolução estável do quadro clínico e foi liberada para o setor de internação, onde continuaria em observação e recebendo os cuidados necessários.
O desaparecimento ocorreu quando Bruna e Dheoge participavam de uma confraternização em um barco. Segundo as autoridades, os dois decidiram se afastar do grupo em uma moto aquática por volta das 16h de domingo. Como não retornaram, colegas iniciaram buscas preliminares ainda durante a noite, com apoio de pescadores e profissionais náuticos.
Na segunda-feira, 26 de maio, a Marinha do Brasil localizou a moto aquática usada pelos dois a mais de 20 quilômetros do ponto de partida. A descoberta do equipamento foi considerada importante para delimitar uma área de buscas mais precisa e orientar os trabalhos que levaram ao resgate de Bruna.
O caso também reacendeu alertas sobre segurança no mar. Para Leonardo Nery, a ocorrência mostra a importância de conhecimento técnico, planejamento e adoção de medidas preventivas antes de qualquer atividade náutica.
“O jet-ski [moto aquática] apresentou uma pane, afogou ou alguma coisa nesse sentido, não sabemos se foi uma pane seca, mas assim que o jet-ski parou, o que tinha que ter sido feito era verificar […] Eu acho que o alerta que esse tipo de ocorrência dá para todos, é que a segurança em primeiro lugar. Então, antes de nos aventurarmos no mar, é ter conhecimento técnico e se cercar de toda a segurança possível”, afirmou.
As buscas por Dheoge Pereira Bernardino continuavam sob responsabilidade das equipes do Corpo de Bombeiros, com apoio da Marinha. A localização de Bruna com vida, depois de dias à deriva, passou a ser analisada como resultado de uma combinação de fatores ambientais, uso de equipamento de segurança e resistência emocional diante de uma situação limite.
