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'Crime por encomenda custava até R$ 1,5 milhão', afirma delegado sobre o Escritório do Crime

Ao citar o valor de R$ 1 milhão ou mais por assassinato encomendado por parte do Escritório do Crime, o delegado Daniel Rosa afirmou que a morte do empresário Marcelo Diotti, por exemplo, "foi por ordem do ex-capitão Adriano (da Nóbrega) em disputa por área". O empresário Marcelo Diotti da Mata foi fuzilado no mesmo dia do assassinato de Marielle Franco

Delegado Daniel Rosa (Foto: Reprodução)

247 - O titular da Delegacia de Homicídios (DH), Daniel Rosa, afirmou que o Escritório do Crime cobrava até R$ 1,5 milhão por cada assassinato que praticavam após encomendas. Os principais clientes seriam contraventores em disputas por pontos de exploração de jogo. De acordo com o delegado, a morte do empresário Marcelo Diotti, por exemplo, "foi por ordem do ex-capitão Adriano em disputa por área". O empresário Marcelo Diotti da Mata foi fuzilado no estacionamento de um restaurante na Barra da Tijuca no mesmo dia em que a então vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson foi assassinada. 

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram uma operação tendo integrantes do grupo como alvos. "Foram prisões relevantes, não só para esclarecer os casos em andamento na DH, como para proteger a população do Rio, uma vez que eles matavam por dinheiro. Eles cobravam de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão", disse. 

De acordo com o delegado, o valor da encomenda dependia da dificuldade do "serviço". "O nível de sofisticação chegou a nos impressionar durante as investigações. Em alguns casos, os criminosos usaram drones. Para fazer a vigilância de suas vítimas, ficavam seis, sete, nove meses até conseguirem seu objetivo: executar friamente com diversos tiros de fuzil", afirmou. 

"As vítimas do Escritório do Crime são, geralmente, decorrentes de desentendimento de grupos criminosos que disputam o território no Rio", acrescentou.

Ao relacionar a morte do empresário Marcelo Diotti da Mata com Adriano, o delegado fez referência ao ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, que chefiava o Escritório do Crime e foi homenageado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) por Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando o atual senador cumpria mandato de deputado estadual. A mãe e a ex-mulher dele trabalharam no gabinete de Flávio na Alerj. 

O Escritório do Crime é suspeito de envolvimento com o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), morta pelo crime organizado. Os autores do  homicídio, que estão presos, fizeram os disparos em um lugar sem câmeras na região central do Rio. Antes da execução eles haviam perseguido o carro dela por cerca de três quilômetros. 

Em março do ano passado foram presos dois suspeitos de serem os assassinos de Marielle: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é acusado de ter feito os disparos e o segundo de dirigir o carro que perseguiu a parlamentar. 

Lessa morava no mesmo condomínio de Bolsonaro. Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos havia postado no Facebook uma foto ao lado de Jair Bolsonaro. Na foto, o rosto de Bolsonaro está cortado.