Criminosos invadem plenária de pré-candidato a vereador e compartilham pornografia infantil

Promovida por William De Lucca, pré-candidato a vereador em São Paulo, plenária de direitos e demandas das mulheres foi invadida por grupo que se identificou como membros do 55chan, fórum virtual brasileiro conhecido por promover discursos de ódio e ataques orquestrados

William De Lucca
William De Lucca (Foto: Divulgação | Reprodução)
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247 - A plenária virtual de direitos e demandas das mulheres, promovida pelo pré-candidato a vereador em São Paulo William de Lucca (PT), foi invadida por criminosos na noite desta terça-feira (18). Os criminosos - que se identificaram como membros do 55chan, fórum brasileiro conhecido por promover discursos de ódio e ataques orquestrados (raid) - compartilharam imagens de pornografia infantil antes do início do evento, além de ofensas de teor homofóbico. Devido ao ataque, a plenária teve de ser transferida de plataforma e teve fechada a participação do público por vídeo. 

O pré-candidato declarou que irá denunciar o caso à polícia para que os autores dos ataques sejam identificados e punidos pelos crimes cometidos, que incluem posse e compartilhamento de pornografia infantil, além de provável formação de quadrilha.  

“Levarei este caso até as últimas consequências. O que ocorreu não foi apenas uma invasão de um grupo com posicionamento político partidário diferente do meu, com objetivo de tumultuar e inviabilizar a plenária, o que já seria uma atitude lamentável e antidemocrática. O que ocorreu foi a prática de um crime premeditado e organizado. Estas pessoas tem de ser identificadas e punidas. A internet não é terra sem lei”, diz William. 

“Sou um homem gay, ativista, e por conta da minha militância já sofri diversos tipos de ataques e inúmeras ameaças. Porém, o que ocorreu na plenária ultrapassou qualquer limite. Crianças foram expostas em situações de abuso. É intolerável, nojento, criminoso. Estas pessoas precisam ser presas para que as vítimas deste crime, crianças, possam ser preservadas de alguma forma. É urgente identificar a origem destas imagens que foram compartilhadas por estes criminosos”, acrescenta. 

De acordo com o pré-candidato à vereador, o ataque não vai intimidá-lo. “É aterrador pensar que - na mesma semana em que o país debate o caso de um menina de 10 anos grávida, abusada desde os seis pelo tio, e que foi novamente violentada na sua dignidade e privacidade quando exerceu seu direito a um aborto legal - criminosos invadam uma plenária sobre direitos e demandas das mulheres e compartilhem imagens de pedofilia. Se é esse o tipo de criminoso que está incomodado com o nosso projeto, este é mais um motivo para seguir nele com cada vez mais força e entrega. Não vou me intimidar. Nosso projeto não vai recuar um milímetro por conta deste ataque, muito pelo contrário. Este episódio mostrou o quanto é importante combater a cultura do estupro, infelizmente ainda tão arraigada na nossa sociedade, assim como todo tipo discurso de ódio contra minorias”, avalia William. 

Como denunciar crimes virtuais

- Para denunciar crimes virtuais é importante ter em mãos todo o tipo de evidência que possa levar a comprovação e elucidação do crime: e-mails, prints, informações do infrator, mensagens em rede sociais e tudo mais que possa ser utilizado como prova. 

- Depois de reunir as evidências, é necessário procurar uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência. Algumas cidades, como São Paulo, contam com delegacias especializadas em crimes cibernéticos. 

- No caso de crimes contra os direitos humanos como, por exemplo, racismo, pornografia infantil, homofobia e aliciamento infantil, a denúncia pode ser feita tanto pelo site SaferNet quanto pelo Disque 100.

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