Delegado da PF de Juiz de Fora ignora críticas de Bolsonaro, mas advogados de Adélio reagem

O delegado Ronaldo Guilherme, que conduziu o inquérito do atentado a faca contra Jair Bolsonaro, não quis se manifestar sobre as críticas de Bolsonaro. Disse apenas que confia nas conclusões das investigações e no seu trabalho

PF rastreia finanças de agressor de esfaquear Bolsonaro
PF rastreia finanças de agressor de esfaquear Bolsonaro (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

Ao falar à Nação, na sexta-feira (24/04), em resposta ao ministro demitido, Sergio Moro,  Bolsonaro fez pesadas críticas ao trabalho da Polícia Federal de Juiz de Fora (MG), sob a coordenação do delegado Ronaldo Guilherme Campos, que conduziu o inquérito do atentado a faca, ocorrido no dia 6 de setembro de 2018, quando ainda era candidato à presidência. Bolsonaro não aceita o desfecho, que aponta Adélio Bispo de Oliveira como “lobo solitário”, ou seja, o único autor do atentado.

Ele colocou sob suspeição a seriedade das conclusões do inquérito. Em resposta às críticas, o delegado Ronaldo Guilherme, que responde pelo cargo de coordenador geral de defesa institucional da PF na cidade da Zona da Mata mineira, não quis se manifestar. Disse apenas que confia nas conclusões das investigações e no seu trabalho. Ouvido logo depois do anúncio do nome de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor geral da PF, o delegado lembrou que trabalhou durante um ano na equipe de Ramagem quando serviu em Brasília, no ano de 2013. “É um profissional competente, equilibrado, embora não seja do quadro dos mais experientes, mas o considero uma boa escolha”, assentiu comentar.

Enquanto o delegado faz silêncio, os advogados de defesa de Adélio Bispo de Oliveira, 41 anos, autor confesso da facada contra o presidente Jair Bolsonaro, divulgaram ontem (27/04), uma nota de “repúdio e de esclarecimento”. Nela eles apontam que em suas declarações, Bolsonaro alega que o crime “contra o então candidato, ocorrido em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (Zona Mata), teve mandantes, e que a tentativa de homicídio não foi devidamente investigada pela Polícia Federal”. 

Assinam o documento os advogados: Zanone Manoel de Oliveira Júnior; Fernando Costa Oliveira Magalhães, Marco Alfredo Mejia, Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, e Daniel Magalhães Bastos.

A nota dos advogados de Adélio saiu publicada no jornal estado de Minas, em matéria assinada pelo repórter Luiz Ribeiro, que descreve: “Os defensores do agressor de Bolsonaro insinuam a tentativa de uso político do desfecho da apuração. ‘Discordâncias processuais têm papel e lugar na letra do feito e não num desvio de foco visando pró-urna’.  

De acordo com a reportagem os advogados teriam dito que Bolsonaro “usou” o “não aprofundamento nas investigações do caso Adélio como um dos argumentos para a exoneração do ex-diretor-geral da corporação Maurício Aleixo. A mudança no comando da PF foi o estopim da saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que pediu demissão do cargo na sexta-feira (24)”. 

Ainda segundo a reportagem do Estado de Minas, os advogados lembram que os defensores de Jair Bolsonaro não recorreram da decisão que considerou Adélio “inimputável”, concordando também com o que foi apurado no inquérito. E concluem: 

“A defesa de Adélio Bispo, em uníssona manifestação, repudia as assertivas do senhor presidente da República, que anunciou entre as motivadoras da queda do então ministro Sergio Moro a ausência de identificação, por parte da Polícia Federal, dos ditos mandantes do crime contra o chefe do Executivo”.

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