HOME > Sudeste

'Desembarque do PMDB da base não ganhará corpo'

O líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), afirmou que o desembarque de seu partido do governo não "ganhará corpo" na convenção nacional do partido prevista para março; o parlamentar acredita que, mesmo diante do desgaste do PT, a permanência na base aliada não deve prejudicar a sigla peemedebista neste ano eleitoral; "A população conhece o papel do PMDB, o PMDB tem compromisso com governabilidade", acrescentou; segundo o parlamentar, a sua relação com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), "hoje é mais protocolar, embora não tenha sentimento de revanche e de antagonismo a ele"

Brasília - Deputado Leonardo Picciani, um dos candidatos à liderança do PMDB na Câmara dos Deputados (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)

Rio 247- O líder do PMDB na Câmara Federal, deputado Leonardo Picciani (RJ), afirmou, nesta quinta-feira (18), que o desembarque de seu partido do governo não "ganhará corpo" na convenção nacional do partido prevista para março. O parlamentar acredita que, mesmo diante do desgaste do PT com a baixa popularidade da presidente Dilma Rousseff e o envolvimento de petistas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), a permanência na base aliada não deve prejudicar a sigla peemedebista neste ano eleitoral.

Picciani firmou que a população compreende que o seu partido tem compromisso com a governabilidade. "Creio que a convenção terá sua dinâmica e esse tema não ganhará corpo na convenção. Noto setores amplos do partido fora do debate e não deverão levar essa discussão a efeito", disse ele ao Estadão. "A população conhece o papel do PMDB, o PMDB tem compromisso com governabilidade".

O congressista afirmou que sua relação com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é apenas "protocolar". Picciani defendeu o direito de defesa de todos os políticos envolvidos em escândalos, como Cunha, mas reforçou que, se culpados, devem ser punidos.

"Evidentemente viemos de uma disputa (pela liderança do PMDB) em que ele trabalhou contra minha candidatura e a favor de Hugo Motta (PB). Minha relação com ele tem sido dentro da cordialidade que sempre tivemos, mas não tem sido uma relação próxima. Hoje é mais protocolar, embora não tenha sentimento de revanche e de antagonismo a ele", disse ele ao Estado.

O líder do PMDB afirmou sua distância em relação a Cunha não deve atrapalhar a unificação do partido. "Não acredito, porque não há restrição da bancada do PMDB ao presidente da Câmara", complementou.

Picciani não é bem visto por Cunha devido à sua proximidade com aliados da presidente Dilma. A relação entre o parlamentar do Rio de Janeiro e a base governista ficou mais estreita durante as negociações para a reforma ministerial no segundo semestre do ano passado.

As articulações de Picciani renderam dois ministérios à bancada do PMDB na Câmara Federal. Ele indicou os novos ministros da Saúde e da Ciência e Tecnologia, os deputados Marcelo Castro (PMDB-PI) e Celso Pansera (PMDB-RJ).

CPMF e Previdência
De acordo com o parlamentar, atualmente as divergências internas da bancada são motivadas por "temas controversos", como CPMF, ajuste fiscal e impeachment. Picciani sinalizou que vai orientar a bancada pela aprovação da CPMF na Casa. "Minha opinião é que CPMF seria o remédio adequado a ser aplicado neste momento", acrescentou. "Não tenho nenhuma paixão pelo tema, se tiver outro caminho melhor. O problema é que não há." Ele reconheceu, contudo, que a unidade da bancada sobre o tema é "improvável".

Sobre a reforma da Previdência, o congressista afirmou que todos os parlamentares do PMDB concordam com a tese apresentada pelo governo até agora. "É nítido que precisamos de um ajustamento", pontuou. Ele defendeu que as propostas devem preservar os direitos adquiridos dos trabalhadores e criar uma regra de transição para os que estão no mercado de trabalho atualmente.