Em dois anos, Copa 2014 fica R$ 9 bi mais cara

E previso para o oramento revisado de R$ 26,8 bilhes em obras s aumentar; valor 15% maior que o estimado no ano passado; conta inicial, em 2010, era de R$ 17,5 bilhes; s trs estdios cumprem cronograma da Fifa; mobilidade urbana? Mal parada

247 – O que o povo sempre disse nas ruas, está acontecendo: fazer a Copa do Mundo no Brasil acarretaria em estouros de orçamentos, atrasos em obras e disseminação da corrupção. A voz corrente é, hoje, um retrato sem retoques da realidade. Por mais que o governo procure, nos últimos tempos, acertar os ponteiros dos cronogramas de obras, afinar projetos e fiscalizar contratos, os números divulgados agora pelo Grupo Executivo para a Copa-2014 mostraram que os custos de obras cresceram R$ 9,3 bilhões em apenas dois anos, saltando de uma previsão de R$ 17,5 bilhões, feita em 2010, para o patamar de R$ 23,3 bilhões no ano seguinte e, agora, chegando a R$ 26,8 bilhões. Não se sabe exatamente quanto, mas já é certo que a conta ficará ainda mais cara em 2013 e, também, 2014, uma vez que gastos com segurança e todo o aparato receptivo ainda estão subestimados.

O escândalo político e financeiro envolvendo a Delta Construções, que abandonou o consórcio de construção do Maracanã, está sendo adquirida pelo grupo JBS e deve ser declarada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU), mostra que o povo, quando projetava corrupção na preparação da Copa, estava mesmo certo. Os atrasos, outro ponto da profecia popular, são denunciados praticamente todas as semanas, nos últimos dois anos, por dirigentes da Fifa, e se tornaram motivo de atrito permanente entre autoridades brasileiras e a cúpula do futebol mundial. O custo das obras, como se pode comparar pelos relatórios oficiais do Grupo Executivo da Copa, só fazem estourar.

Nos cálculos do Ministério do Esporte, a Copa 2014 terá um custo final de R$ 33 bilhões. “Essa sempre foi a estimativa, portanto o custo atual não está acima do esperado”, registra a assessoria de imprensa do órgão. Existe, no entanto, a preocupação pessoal do ministro Aldo Rebelo em reforçar com técnicos o comitê organizador e fiscalizador, receoso de novas acelerações nos custos.

Por segmento, o orçamento da Copa já prevê R$ 11,3 bilhões para obras de mobilidade urbana, R$ 6,8 bilhões para os estádios e R$ 7,3 bilhões para os aeroportos. Em relação ao primeiro item, no entanto, apenas 6% das obras previstas para a mobilidade urbana em cidades participantes do Mundial saíram do papel. A dois anos do pontapé inicial, apenas R$ 2,7 bilhões foram contratados, o que sugere que muitos dos novos compromissos possam vir a serem feitos em regime de urgência, o que é fator de encarecimento. Nos último quesito, o dos aeroportos, apenas 0,3% das obras previstas foram executadas e pagas até agora. Os estádios, nesse quadro, registram os maiores avanços em obras mas, ainda assim, apenas três deles ficarão prontos nos prazos determinados pela Fifa.

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