Em inauguração de hospital no Rio, aliados de Lula atacam Flávio Bolsonaro
Durante inauguração de setor de trauma no Hospital do Andaraí, Eduardo Paes e Alexandre Padilha responsabilizam senador por deterioração da unidade
247 - A inauguração do novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, nesta sexta-feira (13), foi marcada por críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, discursos de autoridades durante a cerimônia apontaram o senador — apontado como pré-candidato à Presidência da República — como responsável por exercer influência sobre contratos da unidade hospitalar durante o período de deterioração do hospital na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do parlamentar.
As críticas nominais partiram do prefeito Eduardo Paes e do secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz. Procurada pela reportagem da Folha, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro não comentou as declarações.
Paes afirmou que indicações políticas teriam prejudicado a gestão dos hospitais federais no Rio de Janeiro, contribuindo para o sucateamento das unidades. Segundo ele, a situação do hospital refletia problemas administrativos prolongados.
“A cozinha desse hospital estava fechada há 12 anos porque era muito mais negócio, em vez de gastar R$ 8 milhões para fazer uma obra, ficar gastando R$ 1 milhão por mês para trazer o transporte das quentinhas que vinham para cá. Devia dar muito mais comissão para quem tinha esses contratos”, disse o prefeito.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também criticou o que classificou como um projeto de sucateamento dos hospitais federais do estado. Sem mencionar diretamente o nome do senador, o ministro associou a responsabilidade a uma família de políticos tradicionais do Rio.
“Porque dominavam os hospitais federais do Rio de Janeiro do contrato, da indicação do diretor até a indicação de quem internava e quem não internava. Por isso queriam que esses hospitais não funcionassem, fosse o próprio caos, sucateado. Não era só desleixo, não era só negligência. Tem uma família que é responsável por esse projeto e que torço, tenho fé e vamos trabalhar muito, que nunca mais essa família imagine querer cuidar da saúde do nosso país, como aconteceu durante a pandemia.”
Em seu discurso, Lula não citou diretamente Flávio Bolsonaro, mas fez uma indireta ao comentar protestos realizados por sindicalistas quando o governo federal anunciou a municipalização dos hospitais federais no Rio. O presidente questionou a atuação de alguns manifestantes. “Eu não sei se era um sindicalista de verdade ou eram milicianos que defendiam aquele que administrava o hospital. Não sei. A história vai provar.”
A unidade hospitalar chegou a ser mencionada durante depoimentos na CPI da Covid, em 2021. Na ocasião, o então governador do Rio, Wilson Witzel, declarou que “hospitais federais do Rio têm dono” e mencionou, nos bastidores, uma suposta influência de Flávio Bolsonaro sobre a unidade.
Em 2024, o governo federal decidiu municipalizar a gestão de dois hospitais federais na capital fluminense: o Hospital Federal de Bonsucesso e o próprio Hospital Federal do Andaraí.
Inaugurado em 1945, o hospital do Andaraí é especializado no tratamento oncológico e de queimados. Seu centro de tratamento de queimaduras é o mais antigo do país e já foi considerado referência nacional. Ao longo dos últimos anos, no entanto, a unidade enfrentou dificuldades operacionais, incluindo a suspensão temporária do atendimento de emergência e pediatria entre 2017 e 2020 e o fechamento de enfermarias por mais de uma década.