Então morra

Quando li no "B247", não acreditei. Mas vou considerar que o Ministro do Trabalho disse mesmo o que disse: "Morro, mas não jogo a toalha"

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Quando li no "B247", não acreditei. Forcei a vista, cansada de ler escândalos de corrupção todo dia, e estava lá mesmo, escrito com todas as letras: "Morro, mas não jogo a toalha". Está assim mesmo. Se alguém inventou foi o Attuch... Mas dada a credibilidade do responsável por este “j-e”, vou considerar que o Ministro do Trabalho disse mesmo o que disse. Fiquei estupefato! Como eu, certamente muitos cidadãos se questionaram - ante o arroubo verbal - a que ponto se chegou, em Sucupira, digo, no Brasil.

O sentimento de posse, com animus domini, da coisa pública para satisfação do ego – para não se cogitar de outras coisas -, não mais conseguem disfarçar esses políticos. Ora, ouvir - ou ler - que um fazendeiro se instale em sua "porteira", para rechaçar uma invasão em suas terras, e diga em alto e bom som que "morre, mas não joga a toalha", é coisa até admissível diante do nosso atual patamar evolutivo. O mesmo se poderia cogitar numa briga de vizinhos, acerca do muro limítrofe.

Até acredito que alguém já pode ter ouvido coisa semelhante em debates ideológicos acirrados entre contendores absolutamente antagônicos. Mas ouvir isto de um Ministro de Estado em relação à "cadeira" onde senta? Meu Deus... Isto será mesmo, “política”, tal qual a consideravam, no substantivo, os ancestrais gregos? Fui ao dicionário, e lá encontrei: “política” - arte e ciência de bem governar, de cuidar dos negócios públicos.

Será que estou ficando doido ao perceber um tom dissonante na frase dita pelo Ministro de Estado e o conceito daquilo que deveria fazer e pautar-se e conduzir-se, ou seja, bem cuidar dos negócios públicos? Será que Sua Excelência “morre” bem cuidando dos negócios do Governo Dilma, mesmo? Por menores razões, em outras fronteiras, tal tipo de atitude é considerado ultrajante?

Os políticos e gestores brasileiros bem poderiam ser, digamos assim, mais civilizados, já que aqui são poupados, porque o povo não vai às ruas com frequência para protestar e envergonhá-los. Poderiam nos poupar de frases vergonhosas no contexto maior das nações civilizadas, no mínimo. Acredito piamente que todos os ministérios do Governo da Presidenta Dilma podem estar "contaminados" pelo vírus da corrupção. Eu, e o Sr. Jorge Hage, Ministro-Chefe da Controladoria Geral da Nação, que "jogou a toalha", como servidor decente e probo que parece ser, e declarou que a coisa (pública), em miúdos, anda sem controle.

Como cidadão, quero crer que temos uma Presidenta que não rouba e nem contribui com quadrilhas de qualquer matiz. Então, Presidenta, aprenda com o Prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, que foi maldosamente pego "na palavra", filmado e posto no "Youtube", ao debater com humílima invasora de área pública em situação de risco de desabamento, “forasteira”, como eu, com origem no vizinho Estado do Pará, onde também nasci. Disse, aqui, o nosso querido "Negão", impactado com a pobre criatura, que não admitia o risco de morte, e teimava em deixar seu "barraco" porque não tinha aonde ir: “ENTÃO MORRA!”

Dionysio Paixão é advogado e procurador do município de Manaus.

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