Entenda o golpe do vômito, a nova armadilha dos bandidos para assaltar em transporte público
Os casos estão sob investigação do 78º Distrito Policial (Jardins)
247 - Uma nova modalidade de golpe dentro de ônibus na cidade de São Paulo tem preocupado passageiros e autoridades. Criminosos passaram a simular episódios de vômito para distrair vítimas e furtar celulares e pertences pessoais. As informações foram divulgadas pelo g1, que reuniu relatos semelhantes ocorridos nas últimas semanas.De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ao menos duas ocorrências com esse padrão foram registradas em abril, nos dias 22 e 25.
Os casos estão sob investigação do 78º Distrito Policial (Jardins) e do 28º Distrito Policial (Freguesia do Ó), que trabalham para identificar os envolvidos.Relatos de vítimas indicam que a ação é rápida, coordenada e envolve mais de um criminoso. O criador de conteúdo Guilherme Giaretta, de 23 anos, contou que foi surpreendido durante o trajeto de ônibus a caminho da Avenida Paulista.“Ele aponta para as minhas costas e estava cheio de alguma coisa igual vômito, escorrendo no banco que eu estava sentado e estava sujando toda a minha camiseta. Fiquei desesperado, porque não tinha aquilo quando eu sentei lá. Eu não vi acontecer nada, ninguém vomitando ali", relatou.
Ainda segundo ele, o momento de desorientação foi aproveitado pelos suspeitos. "Estava tão em choque, que minhas costas estavam cheias de vômito, que eu nem consegui pensar razoavelmente. Ele dizia que uma criança tinha vomitado, no colo de uma mãe, e descido do ônibus. Tinha um outro homem junto, eles começaram a me cercar e a tentar limpar minha camiseta com lenços."Giaretta afirma que os homens falavam em espanhol e agiram em poucos instantes. Após descerem no ponto seguinte, ele percebeu que havia sido furtado. “Não tinha cheiro de vômito. Depois que tudo passou, percebi que aquilo era para me distrair”, afirmou.
Outro caso semelhante foi relatado pela influenciadora Miriam Almeida, de 31 anos, que estava em um ônibus na Avenida Sapopemba, na Zona Leste da capital. Segundo ela, a abordagem seguiu o mesmo padrão."É uma das linhas de São Mateus que passa pela Avenida Sapopemba. E não tinha gente do meu lado, só que o pessoal foi saindo, foi chegando nos pontos e chegou um momento, chegando ali perto da Estação São Lucas, antes da Estação São Lucas [da Linha 15-Prata], um cara que falava espanhol disse que minha roupa estava suja", contou."Quando eu olhei, parecia uma gosma, tipo vômito, meio amarelo. Eu me desesperei e comecei a limpar. Eu estava com o celular na mão."Ela relata que o suspeito ofereceu ajuda e, em questão de segundos, deixou o ônibus. “Ele prontamente tirou o guardanapo da bolsa dele para me dar. Foi coisa de segundos. Eles agem muito rápido. Parecia que tinha mais gente envolvida”, disse.
Logo depois, percebeu que o celular havia sido levado.Segundo as vítimas, o golpe segue um padrão claro: um dos criminosos alerta sobre uma suposta sujeira, provocando desespero; comparsas se aproximam fingindo ajudar; durante a distração, objetos são furtados; e o grupo deixa o veículo rapidamente.
A SSP orienta que passageiros redobrem a atenção em situações suspeitas e acionem imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Em nota, a pasta reforçou a importância do registro formal das ocorrências: "É fundamental que as vítimas também formalizem o registro do boletim de ocorrência para que o caso seja devidamente investigado e os autores responsabilizados. Vale destacar ainda que as forças policiais atuam no combate a todas as modalidades criminosas, o que já resultou na prisão e apreensão de 7.711 infratores no primeiro bimestre deste ano.
"O golpe ocorre em um contexto mais amplo de crimes envolvendo celulares na capital paulista. Dados da SSP indicam que, apesar de uma redução de 20% nos roubos de aparelhos nos dois primeiros meses de 2026, ainda foram registradas 8.430 ocorrências no período — uma média de 142,9 casos por dia.Além dos furtos em transporte público, outras modalidades também preocupam. Na região central, especialmente entre a Estação da Luz e a Pinacoteca, grupos que utilizam bicicletas têm sido flagrados praticando roubos em meio a aglomerações, como áreas turísticas.
Especialistas em segurança apontam que a combinação de distração e ação em grupo tem sido uma estratégia recorrente para facilitar crimes rápidos e de difícil identificação. Diante disso, autoridades recomendam que passageiros evitem expor celulares, mantenham atenção redobrada e desconfiem de abordagens incomuns dentro de veículos de transporte coletivo.