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'Estamos juntos, irmão': operação da PF revela parceria entre Bacellar e Rangel sob suspeita

Aliados de Campos dos Goytacazes, os dois foram presos em fases distintas da Operação Unha e Carne, que apura fraudes em contratos da Educação

Rodrigo Barcellar e Thiago Rangel (Foto: Reprodução/Redes Sociais )

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247 - A relação política e pessoal entre o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) voltou ao centro do debate após ambos serem presos pela Polícia Federal em fases diferentes da Operação Unha e Carne. A investigação apura suspeitas de fraudes em contratos ligados à Secretaria estadual de Educação.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, os dois políticos, naturais de Campos dos Goytacazes, mantinham uma proximidade pública, frequentemente demonstrada nas redes sociais com mensagens de apoio e parceria, como a frase: “Estamos juntos, irmão”.

A operação mira um suposto esquema de direcionamento de contratações públicas, envolvendo aquisição de materiais e serviços, incluindo obras de reforma em unidades escolares. Bacellar já estava preso quando Rangel foi detido na quarta fase da ação.

Trajetória política e início da parceria

Thiago Rangel iniciou sua carreira política em 2020, ao ser eleito vereador em Campos dos Goytacazes. Na ocasião, contou com o apoio de Wladimir Garotinho, que disputava a prefeitura da cidade. Ambos venceram suas eleições, mas a aliança foi rompida posteriormente.

De acordo com a investigação da Polícia Federal, antes do rompimento político, entre 2021 e 2022, Rangel “exerceu influência política junto à Prefeitura de Campos dos Goytacazes”, chegando a indicar um aliado para a direção da Empresa Pública de Habitação do município.

Ainda segundo a PF, essa influência teria permitido a “manipulação de diversos procedimentos de aquisição de bens e serviços, a maioria por meio do expediente da dispensa de licitação, direcionando os contratos para empresas fechadas com a organização criminosa”.

Ascensão na Alerj e proximidade com Bacellar

Em 2022, Rangel foi eleito deputado estadual com 31,1 mil votos. Já na Alerj, passou a reforçar publicamente sua relação com Rodrigo Bacellar, também eleito para o cargo.

Em 2 de fevereiro daquele ano, ao comentar a eleição de Bacellar para a presidência da Casa, Rangel escreveu: “Com muita satisfação, quero parabenizar meu conterrâneo e agora presidente da Alerj. Desejo um mandato coerente, pacificado e, acima de tudo, voltado para a população. Vamos juntos pelo Rio”.

A partir desse momento, as publicações em conjunto se intensificaram. Em setembro de 2023, Rangel voltou a destacar a parceria e fez referência ao cenário político local: “Nossa cidade de Campos dos Goytacazes é marcada por diversas brigas políticas, pelo fato de uma família não aceitar que conquistamos o protagonismo no Legislativo, a ponto de querer nos atacar, difamar e tentar desmoralizar nossa reputação. Quem conhece sabe do que essas pessoas são capazes de fazer para atingir quem ameaça ocupar espaços políticos”.

Eleições e articulações em Campos

Nas eleições de 2024, Bacellar apoiou a pré-candidatura de Rangel à prefeitura de Campos dos Goytacazes, fortalecendo a aliança entre os dois. Apesar disso, quem acabou disputando o pleito pelo grupo político foi a delegada Madeleine Dykeman, que não venceu a eleição.

O resultado manteve Wladimir Garotinho no comando da prefeitura, reeleito para o cargo. Mesmo fora da disputa majoritária, Rangel manteve influência política local.

No mesmo pleito, sua filha, Thamires Rangel (PMB), foi eleita vereadora aos 18 anos, tornando-se a mais jovem do país a ocupar o cargo. Ela também chegou a assumir o posto de subsecretária do Ambiente e Sustentabilidade do estado, mas deixou a função após mudanças administrativas no governo.

Investigação, patrimônio e desdobramentos

Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam uma evolução significativa no patrimônio de Thiago Rangel. Em 2024, ele declarou bens no valor de R$ 224 mil. Dois anos depois, o montante declarado chegou a R$ 1.972.000,00.

A Operação Unha e Carne cumpre sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro, incluindo Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é desarticular uma organização criminosa que atuaria no direcionamento de contratos públicos, beneficiando empresas previamente selecionadas.

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