Ex-assessores dizem que repasse a André Janones era de até 60%, incluía 13º e dinheiro em espécie

Investigadores apuram um suposto esquema de rachadinha no gabinete do parlamentar

André Janones
André Janones (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)


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247 - Dois ex-assessores do deputado federal André Janones (Avante-MG) afirmaram que o parlamentar cobrava funcionários lotados em seu gabinete na Câmara a repassar parte dos seus salários. Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira disseram que a prática, conhecida no mundo político como "rachadinha", envolvia os valores recebidos como 13º e chegava a 60% dos vencimentos. Os relatos foram publicados no jornal O Globo.

De acordo com Paulino, que trabalhou no gabinete de fevereiro de 2019 até outubro de 2022, com salário de R$ 19.562, os pedidos para repassar parte da sua remuneração começaram no início de 2019. Segundo o ex-funcionário, a responsável pela arrecadação dos recursos junto aos assessores de Janones era Leandra Guedes (Avante), atual prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, e aliada de do parlamentar.

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"O primeiro pedido ocorreu em 5 de fevereiro de 2019, assim que ele se elegeu pela primeira vez. Depois disso, todos passaram a repassar um percentual de seus salários em dinheiro vivo, ninguém fazia transferência bancária para a Leandra. Quem ganhava menos também doava, era uma contribuição proporcional, inclusive em cima do 13º salário de cada um", afirmou.

Lotado no gabinete de Janones entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2021, Oliveira afirmou que, além das despesas, os servidores eram obrigados a fazer doações ao Avante, partido do qual Janones faz parte. O ex-assessor disse ter começado a trabalhar com o deputado em 2018, voluntariamente, e ter passado a integrar o seu gabinete em 2019. Ele deixou o gabinete do parlamentar em dezembro de 2021, com um salário de R$ 9.460.

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"De início, Janones tratava o assunto com muitos cuidados, ele colocava panos quentes para não caracterizar rachadinha. Eu estava entrando na vida pública, não conhecia o crime de peculato, não sabia o que era uma rachadinha e as implicações da sua ilegalidade. Os repasses dos valores recebidos chegaram a 60% dos totais dos salários, inclusive do 13º. Janones e a Leandra chegaram a obrigar funcionários a fazer contribuições mensais ao Avante, com parte dos seus salários. O pedido, na primeira fase do esquema, era para que o dinheiro sacado em espécie fosse repassado na casa de outros funcionários, em uma ou duas parcelas", afirmou.

Nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o vazamento do áudio tem "denúncias vazias", que "nunca se tornaram uma ação penal ou qualquer processo, por não haver materialiade". "[...] usaram uma gravação clandestina e criminosa, um áudio retirado de contexto e para tentar me imputar um crime que eu jamais cometi. Aproveito para solicitar que o conteúdo criminosamente gravado seja disponibilizado na íntegra e não edições manipuladas, postadas quase simultaneamente por todas as lideranças de extrema-direita".

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