Fim do Tucanistão: depois de 28 anos, PSDB perde o governo de São Paulo

Petista Fernando Haddad e o bolsonarista Tarcisio Freitas irão disputar o segundo turno depois de quase três décadas de hegemonia tucana

www.brasil247.com - Fernando Haddad, João Codria, Rodrigo Garcia e Tarcisio Freitas
Fernando Haddad, João Codria, Rodrigo Garcia e Tarcisio Freitas (Foto: Diogo Zacarias | Gov. de São Paulo | Reprodução/Facebook)


247 - Chegou ao fim neste domingo, 2 de outubro, a hegemonia do PSDB sobre o estado de São Paulo. Depois de 28 anos no comando do estado mais rico do País, o PSDB está fora do segundo turno.

Os candidatos Fernando Haddad, do PT, e Tarcísio Freitas, do Republicanos, apoiado por Jair Bolsonaro, irão disputar o segundo turno das eleições paulistas no dia 28 de outubro.

Com 93,69% das urnas apuradas, Tarcísio obteve 42,69% dos votos, e Fernando Haddad, 35,49%. Os dois vão disputar o segundo turno em 30 de outubro. O atual governador Rodrigo Garcia ficou em terceiro, com 18,4 dos votos.

Para o Senado, o Astronauta Marcos Ponte (REP) lidera com 49,8% dos votos. Marcio França (PSB) está em segundo com 36%. 

Como em eleições anteriores, a disputa pelo estado de São Paulo foi pautada pela eleição presidencial entre Lula e Bolsonaro. O último ato de campanha de Lula foi na capital paulista, junto com Alckmin e Fernando Haddad, onde arrastaram uma multidão de pessoas.

Golpe de 2016, Bolsodoria e a chance de um governo popular

PSDB deixa o governo de São Paulo em dezembro após um longo período de domínio político. No estado que tem cerca de 40 milhões, o PSDB ganhou todas as eleições para governador no Estado de 1994 até 2018. Neste intervalo, saíram vencedores das urnas e governaram São Paulo os tucanos Mário Covas (de 1995 a 2001); Geraldo Alckmin por três mandatos (de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018); José Serra (de 2007 a 2010) e João Doria (de  2014 a 2022).

Neste intervalo, o PSDB elegeu um presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, por dois mandatos, e viu Alckmin e Serra serem derrotados por Lula e Dilma e Dilma Rousseff respectivamente.

A derrota eleitoral deste domingo deve acelerar o processo de definhamento do partido, que nem lançou candidato a presidente em 2022 –algo inédito desde 1989, tendo indicado a senadora Mara Gabrilli como candidata a vice-presidente de Simone Tebet (MDB).

Em âmbito nacional, o definhamento do PSDB se acelerou em 2014, quando o candidato a presidente do partido, Aécio Neves, adotou um discurso golpista e não reconheceu a derrota nas urnas para Dilma Rousseff. O PSDB pediu recontagem dos votos, admitiu sua derrota em seguida, mas sabotou o segundo governo Dilma, se aliando a outros partidos da direita para forjar um impeachment sem crime de responsabilidade.

PSDB foi um dos principais agentes do golpe de 2016 e integrou o governo de Michel Temer. Como consequência da ruptura da decisão das urnas em 2014, os tucanos viram seus eleitores migrar para a extrema-direita e dar a eleição a Jair Bolsonaro. Em 2018, o então candidato tucano a presidente, Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente eleito pelo PSB, recebeu 4,7% dos votos.

Nas eleições estaduais de 2018, o candidato do PSDB a governador, João Doria, foi eleito fazendo dobradinha com o então candidato Jair Bolsonaro, no que ficou conhecido como a chapa Bolsodoria. O alinhamento foi tanto, que Doria usou a camisa inclusive quando foi votar no segundo turno das eleições, em São Paulo.

Em sua gestão, Doria tentou se afastar de Bolsonaro e polarizou com o capitão durante a pandemia da Covid-19, liderando a produção da vacina Coronavac no estado, por meio do Instituto Butantan. Doria disputou as prévias presidenciais do partido junto com Eduardo Leite e Arthur Virgílio. Ele saiu numericamente vencedor da disputa interna, mas sua fraca condição eleitoral fez com o partido desistisse de candidatura própria e apoiasse o nome de Simone Tebet.

No dia 28 de outubro os eleitores paulistas vão às urnas para decidir se querem substituir a era PSDB por um governo popular e alinhado ao governo Lula, com Fernando Haddad, ou se manterá vivo o bolsonarismo com Tarcisio Freitas, que em nível nacional realizou o pior governo que o País já viu.

Enquanto expressão política ainda relevante no estado, o PSDB e o governador Rodrigo Garcia devem se posicionar sobre como passarão à história ao desta da era à frente de São Paulo.

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