Frio segue até quando no Brasil? confira a previsão
A maior atenção se concentra em Santa Catarina e no Paraná, onde os acumulados de chuva podem ser mais expressivos
247 - A ciclogênese mantém frio no Sudeste e acende alerta no Sul com a formação de um sistema de baixa pressão no oceano, que deve aumentar a instabilidade entre Santa Catarina e Paraná e manter temperaturas amenas em parte do Centro-Sul do país. O fenômeno ocorre em meio ao avanço de uma nova frente fria, responsável por reforçar a nebulosidade, provocar chuva e favorecer rajadas de vento em áreas da Região Sul.
As informações são do jornal O Globo. Segundo a reportagem, a nova frente fria começou a se organizar entre a tarde e a noite desta segunda-feira (25), em um processo de ciclogênese no oceano, com potencial para provocar pancadas de chuva e aumento da instabilidade em diferentes pontos do Sul nesta terça-feira (26).
A maior atenção se concentra em Santa Catarina e no Paraná, onde os acumulados de chuva podem ser mais expressivos. A formação do centro de baixa pressão deve intensificar áreas de instabilidade, principalmente entre o litoral catarinense, áreas paranaenses e o nordeste do Rio Grande do Sul.
De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, os modelos meteorológicos já indicavam sinais de fortalecimento do sistema no Sul do país. “Os modelos mostram uma intensificação rápida desse sistema no Sul do país. Santa Catarina aparece como a área de maior atenção, com possibilidade de chuva persistente ao longo do dia e volumes mais expressivos em alguns pontos”, afirmou.
Mapas de probabilidade de chuva do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam maior chance de acumulados justamente entre o litoral de Santa Catarina, áreas do Paraná e o nordeste gaúcho. No Rio Grande do Sul, a previsão é de chuva mais isolada, concentrada sobretudo na faixa nordeste do estado.
O modelo GFS, usado internacionalmente para previsões atmosféricas, também projeta aumento das áreas de chuva no Sul em associação à formação do centro de baixa pressão. Em alguns pontos, há risco de temporais, trovoadas e rajadas de vento.
Apesar da mudança no padrão do tempo, o ar frio continua atuando sobre o país, ainda que com menor intensidade em relação à semana passada. As madrugadas seguem geladas em áreas do Sul e do Sudeste, enquanto as temperaturas máximas devem subir pouco ao longo do dia por causa da presença de nebulosidade.
No Rio Grande do Sul, cidades da Campanha e da Serra ainda devem amanhecer com temperaturas abaixo dos 10°C. A previsão também indica possibilidade de geada em áreas mais restritas, principalmente nos pontos de maior altitude do Sul do país. A ocorrência do fenômeno, no entanto, deve ser menor do que nos últimos dias, quando o frio avançou de forma mais ampla.
Andrea Ramos explicou que o frio ainda persiste, mas sem a mesma força observada anteriormente. “O frio permanece sobre parte do Centro-Sul, mas sem a intensidade observada na última semana. A presença maior de nebulosidade também reduz a variação de temperatura entre manhã e tarde”, disse.
No Sudeste, a frente fria perde força à medida que avança. Em São Paulo, a previsão indica possibilidade de chuva isolada apenas no extremo sul do estado e na faixa litorânea. Na capital paulista, o cenário deve ser de muita nebulosidade, mas sem indicativo de volumes expressivos de chuva.
Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais seguem sob influência de temperaturas mais amenas, em um padrão típico da transição para o inverno. A nebulosidade e a presença do ar frio ajudam a manter a sensação de frio em parte dessas áreas, especialmente durante a manhã e a noite.
Enquanto isso, o interior do Brasil continua sob predomínio de tempo mais seco. Mapas de umidade relativa indicam baixos índices entre o Centro-Oeste, o interior do Sudeste e parte do Matopiba, região que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
As temperaturas máximas permanecem elevadas principalmente no Centro-Oeste e no interior do Nordeste. Estados como Mato Grosso, Tocantins, sul do Pará e oeste da Bahia podem registrar marcas acima dos 30°C durante a tarde, em contraste com o frio observado em parte do Centro-Sul.
Na faixa leste do Nordeste, a circulação de ventos úmidos mantém condições para chuva entre o Rio Grande do Norte e Alagoas. Há previsão de pancadas persistentes em alguns momentos do dia, sobretudo entre o litoral potiguar e o litoral paraibano.
Segundo Andrea Ramos, a entrada de umidade segue influenciando o tempo na região. “A entrada de umidade continua favorecendo chuva em parte do litoral do Nordeste. Entre Rio Grande do Norte e Paraíba, os volumes podem ser mais elevados em alguns períodos do dia”, afirmou.
Em Salvador, a previsão também indica retorno da chuva, ainda que de forma irregular. A capital baiana deve registrar aumento de nebulosidade e pancadas ao longo do dia.
Na Região Norte, o calor e a umidade elevada seguem favorecendo pancadas típicas de fim de tarde, principalmente no norte do Amazonas, no Amapá e no norte do Pará. A atuação residual da Zona de Convergência Intertropical ainda contribui para a formação de nuvens carregadas sobre parte da Amazônia e do litoral norte do país.
“A combinação entre calor e umidade mantém a formação dessas áreas de instabilidade no Norte do país, especialmente sobre o Amapá e o norte do Pará”, declarou Andrea Ramos.
Com a formação da ciclogênese, o Sul do país deve concentrar os principais riscos meteorológicos nas próximas horas, enquanto o Sudeste permanece sob influência de ar frio e nebulosidade. A previsão indica um cenário de contrastes no Brasil, com chuva forte em parte da Região Sul, temperaturas amenas no Centro-Sul e calor persistente em áreas do Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste.
