Governador interino do Rio enfrenta entraves para montar equipe
Dificuldades para atrair nomes à Fazenda e incerteza sobre mandato levam Ricardo Couto a promover mudanças graduais no primeiro escalão do governo
247 - O governador em exercício do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, iniciou uma série de mudanças no primeiro escalão da administração estadual, mas enfrenta dificuldades para avançar em áreas estratégicas. Entre os principais obstáculos estão a incerteza sobre a duração do governo interino e a baixa atratividade dos salários oferecidos, especialmente para profissionais da iniciativa privada.
Segundo informações do jornal O Globo, o entorno do governador reconhece que há interesse em aprofundar as substituições, sobretudo em pastas-chave como a Secretaria de Fazenda. No entanto, o cenário político indefinido tem dificultado a adesão de nomes de peso, o que limita o alcance das reformulações pretendidas.
A expectativa agora recai sobre o próximo dia 8, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve definir o modelo da eleição para o chamado mandato-tampão no estado. Até lá, Couto tem optado por realizar mudanças consideradas viáveis dentro do contexto de transição. As exonerações mais recentes foram publicadas em edição extra do Diário Oficial.
Entre as alterações, a Controladoria-Geral do Estado (CGE) passou por troca de comando: Demetrio Abdennur Farah Neto deixou o cargo, sendo substituído pelo advogado Bruno Campos Pereira, que ocupava a subsecretaria de Contabilidade. No Instituto de Segurança Pública (ISP), saiu a delegada Marcela Ortiz e assumiu a pesquisadora e economista Bárbara Caballero de Andrade.
Outras mudanças incluem a exoneração de Bráulio do Carmo Vieira da Secretaria Extraordinária de Representação em Brasília. Para a função, foi nomeado o advogado Gustavo Alves Pinto Teixeira, ex-desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
No Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o novo secretário Lisandro Leão assumiu o cargo em meio ao cenário de instabilidade política e iniciou uma revisão ampla da estrutura. O objetivo é mapear o funcionamento da pasta, incluindo contratos, nomeações e programas sob sua responsabilidade, como o Barricada Zero.
O GSI é responsável pela segurança do governador e de seus familiares, além da proteção de palácios e residências oficiais. Também administra as aeronaves do governo estadual e coordena, desde o ano passado, o programa Barricada Zero, criado na gestão de Cláudio Castro, que deixou o cargo em 23 de março.
A iniciativa busca remover barricadas instaladas em comunidades para dificultar a ação policial. Embora o gabinete não execute diretamente as operações, ele atua na articulação com forças de segurança e prefeituras. De acordo com dados do governo estadual, o programa alcançou 227 comunidades nos últimos quatro meses, retirou 14 mil toneladas de entulho e resultou em 90 prisões. Paralelamente, contratos como o de táxi aéreo — que já consumiu R$ 17,4 milhões em três anos — também estão sob revisão, em meio às mudanças que já levaram à exoneração de 24 servidores apenas nesta semana.