Governo Doria sabia de segunda onda de Covid-19 antes do primeiro turno

Reportagem do The Intercept mostra que, durante o período eleitoral, João Doria e Bruno Covas têm buscado negar o novo pico da pandemia do coronavírus, apesar de terem acesso aos dados desde antes do primeiro turno das eleições municipais

Bruno Covas e João Doria
Bruno Covas e João Doria (Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)
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247 - O governo de São Paulo, de João Doria (PSDB), sabia do crescimento acelerado nas internações por Covid-19 em hospitais públicos na capital paulista desde pelo menos 9 de novembro, seis dias antes do primeiro turno das eleições municipais, segundo o portal The Intercept.

Os números do Censo Covid-SP, que monitora internações hospitalares, foram entregues ao Intercept “por uma pessoa que tem acesso ao sistema e analisados por um epidemiologista”, diz reportagem de Eliane Pereira. A matéria ainda indica que os funcionários pediram para não serem identificados por temerem represálias. 

Os dados mostram que, desde 16 de outubro, a média móvel de internações na rede pública tem aumentado de forma consistente. Um mês depois, em 16 de novembro, a média aumentou em mais de 90%.

Na segunda-feira, 23, o candidato de Doria para prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), disse em entrevista ao Roda Viva que “não há nenhum indício” de um novo pico.

“Vamos enfrentar isso sem criar expectativas de que o problema foi resolvido e sem criar qualquer tipo de fake news de que há uma segunda onda sendo escondida pela prefeitura”, disse, nem uma semana depois do sistema público registrar o pico de 90% no aumento de novas internações.

A reportagem ainda mostra que apesar de Doria ter dito em coletiva que “São Paulo não esconde dados e não tira site do ar”, especialistas lembram que o Censo Covid-SP inicialmente tinha uma coluna com os números de novas internações - informação que atualmente é suprimida.

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