Greve de estudantes da USP cresce e chega a 15 faculdades com cobrança por bolsas e restaurantes universitários
Paralisação avança na capital e no interior, reúne apoio do DCE e ocorre em meio à greve de servidores e debate sobre bônus para docentes
247 - A greve de estudantes da Universidade de São Paulo avançou e já alcança 15 faculdades e institutos da instituição, entre unidades da capital paulista e do interior.
Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, entre as principais reivindicações da mobilização estão melhores condições de permanência estudantil, aumento no valor das bolsas e críticas à qualidade dos serviços prestados nos restaurantes universitários. O movimento também ocorre em paralelo à greve dos servidores da universidade, iniciada nesta semana.
Nas assembleias mais recentes, aprovaram adesão à paralisação os institutos de Relações Internacionais, Física e Ciências Biomédicas. Também decidiram integrar o movimento as faculdades de Ciências Farmacêuticas, Educação e a Escola de Comunicações e Artes (ECA).
Antes disso, já haviam aprovado greve a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), a Escola de Enfermagem e os institutos de Química, Psicologia, Geociências e Oceanografia.
Um dos casos que mais chamou atenção foi a adesão dos estudantes da Escola Politécnica (Poli), historicamente menos ligada a movimentos grevistas. Segundo a votação, 322 alunos apoiaram a greve e 224 votaram contra.
Na quarta-feira (15), também aprovaram paralisação estudantes da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU) e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, conhecida como USP Leste.
Ainda haverá novas deliberações em outros cursos nos próximos dias. Até o momento, houve registro de não adesão no curso de Medicina Veterinária.
Os estudantes afirmam que é necessário ampliar políticas de permanência estudantil, especialmente com reajuste de bolsas e auxílios. Outro ponto de insatisfação envolve os restaurantes universitários terceirizados.
Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com presença de larvas, especialmente na Faculdade de Direito.
Além disso, alunos também criticam uma minuta em discussão nos órgãos internos da universidade que busca regulamentar espaços usados por centros acadêmicos. Segundo estudantes, a medida pode impactar atividades comerciais realizadas por essas entidades.
Greve também envolve servidores da USP
Os servidores técnico-administrativos da Universidade de São Paulo iniciaram greve na terça-feira (14). A principal insatisfação da categoria está relacionada à criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), aprovada pelo Conselho Universitário em 31 de março.
O bônus prevê pagamento adicional de R$ 4.500 para docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão.
Segundo dados informados, o impacto anual estimado da medida é de R$ 238,44 milhões. O salário inicial de um professor-doutor na universidade é de R$ 16.353,01 mensais, e a bonificação representaria aumento de 27,5% nesse valor.
O Diretório Central dos Estudantes declarou que a mobilização tende a crescer nos próximos dias.
"Nos próximos dias, todos os cursos e campi devem se reunir e discutir se farão greve nos seus locais ou não. De nossa parte, achamos que a mobilização é irreversível e só saímos com conquistas concretas", afirmou o DCE.
Em nota divulgada após a aprovação da gratificação, o reitor Aluisio Segurado afirmou que a medida busca valorizar atividades acadêmicas e a carreira docente.
Segundo ele, a proposta visa o reconhecimento e retenção de talentos, além do estímulo à excelência acadêmica e ao desenvolvimento social.
A gestão também informou reajustes em benefícios para servidores a partir de abril de 2026. O vale-alimentação passará de R$ 1.950 para R$ 2.050, enquanto o vale-refeição subirá de R$ 45 para R$ 65 por dia. Também foi anunciado reajuste de 14,3% no auxílio-saúde, com pagamento previsto para maio.
Sobre permanência estudantil, a universidade informou que implantou, em 2023, uma política específica de apoio com bolsas e auxílios. Segundo a instituição, entre 2023 e 2025, 41,7% dos estudantes contemplados eram oriundos de famílias com renda inferior a meio salário mínimo paulista.
Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento declarou que equipes técnicas estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e que medidas administrativas estão em andamento.