Greve provoca mais de 140 prisões de PMs

123 guarda-vidas do corpo de bombeiros foram indiciados por falta ao trabalho; categoria s est atendendo a casos de emergncia na orla; governador sergio cabral diz que o que houve "foi uma tentativa de greve"

Já chega a 159 o número de policiais presos ou punidos administrativamente no estado do Rio desde a decretação de greve da área de segurança pública, que também envolve bombeiros e policiais civis.

O comando da PM divulgou nota na sexta-feira (10) informando que a Justiça decretou a prisão preventiva de 11 militares da corporação, por conclamar ou incitar a paralisação, dos quais nove mandados já foram cumpridos.

Outras medidas punitivas foram adotadas, incluindo a instauração de processos administrativos disciplinares contra 14 policiais, sete autuações em flagrante por crimes de desobediência e a instauração de 129 inquéritos policiais militares (IPM) contra PMs do Batalhão de Volta Redonda. Na mesma nota, o comando da PM reiterou que considera normal a situação em todo o estado do Rio de Janeiro.

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro também divulgou nota informando que 123 guarda-vidas foram indiciados por falta ao serviço. Todos serão presos administrativamente. A nota informa ainda que o comandante do 2º Grupamento Marítimo (Gmar), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, tenente-coronel Ronaldo Barros, foi exonerado do cargo.

O comando-geral da corporação abriu conselho disciplinar para avaliar a conduta do cabo Benevenuto Daciolo, que está preso desde a noite do dia 8, além de 15 guarda-vidas que representam o movimento grevista. Ainda segundo a nota, serão avaliadas as posturas do capitão Alexandre Marchesini e do major Márcio Garcia.

“O procedimento definirá as punições cabíveis aos envolvidos, podendo chegar à exclusão definitiva do Corpo de Bombeiros”, finaliza a nota.

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247 – A greve dos setores de segurança pública do Rio – Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Agentes Penitenciários – começou com um show de bravatas na Cinelândia, na noite de ontem, e se concretizou num fiasco ao longo do dia de hoje. Para a população, sem dúvida foi melhor assim. Na Bahia, onde um movimento semelhante eclodiu dez dias atrás, os resultados diretos e indiretos já somam mais de 100 mortos por homicídios, saques e baderna generalizada. No Rio, foi diferente, como se viu nas horas seguintes à decisão da greve. A madrugada foi tranquila, sem registros de crimes de morte. Nas primeiras horas da manhã, a orientação da liderança da greve pelo aquartelamento do efetivo policial começou a se concretizar, porém foi diluída pela ação concentrada das comandos dos quartéis, que passaram a indiciar por desobediência e recusa ao trabalho os que não aceitavam as ordens de fazer a vigilância das ruas. Ao mesmo tempo, com base em investigações que, soube-se pelo Estado Maior, a PM já desenvolvia sobre os líderes da greve, a Justiça Militar expediu mandados de prisão para 14 policiais e bombeiros considerados como os principais organizadores da ação. No blog do ex-corregedor da PM Paulo Ricardo Paul, por exemplo, um amigo postou que ele fora preso. Sem a adesão que esperavam contar – na assembleia da Cinelândia, o comparecimento de cerca de 2 mil pessoas de categorias que têm 70 mil trabalhadores já indicava que as categorias não estavam muito mobilizadas -, os líderes da greve concederam uma entrevista coletiva, no final da manhã. Em seguida, caminharam até a delegacia mais próxima para se entregarem. Havia, porém, mandados contra apenas dois deles.

Na ruas, o que se viu foi a presença discreta de viaturas da Polícia Militar em circulação. Na zona sul, os efetivos da Guarda Municipal foram nitidamente reforçados. Os bombeiros também cumpriram ordens de circular com suas caminhonetes com luzes piscando, dando sinal de estar em patrulha. Nas delegacias, o atendimento chegou a ser prejudicado em muitos endereços, mas a máquina da Polícia Civil não parou: apontado como auxiliar do traficante Nem, o homem conhecido como Da Empada foi preso ontem e exibido às câmeras da imprensa. Ele é acusado de ter matado um policial em 2008.

A PM transmitiu informações ao longo de todo o dia, mostrando com números que a greve não deu certo. Houve, sim, um incidente em Volta Redonda, quando cerca de 50 soldados da PM se mostraram firmes em aderir à greve. Um batalhão do Bope foi mandado para lá, o que passou a revelar a estratégia do comando de suprir ausências com suas unidades de elite, incluindo a Tropa de Choque. Homens dessas guarnições também foram enviados a Campos, onde a adesão ao movimento ia adquirindo certa força.

O ex-governador Antony Garotinho foi um dos grandes derrotados do dia. A partir de uma conversa dele com o bombeiro preso Benevenuto Daciolo, acusado de articular atos de vandalismo em ligação com os PMs grevistas na Bahia, que foi gravada em investigações federais, Garotinho foi associado ao incitamento da greve. Ele nega. O certo, porém, é que ele será investigado, entre outros parlamentares, pela Procuradoria Geral da República. Localmente, a deputada estadual Janira Rocha, do Psol, que parecia apoiar a greve antes do seu início, já admite, até, ser cassada. “Por esses bandidos”, sentenciou, em referência a seus colegas parlamentares.

A lei que eleva o piso, reajusta salários e concede benefícios para as categorias da segurança pública do Rio foi publicada nesta sexta no Diário Oficial, sancionada pelo governador Sergio Cabral. Os grevistas têm assembleia marcada para o domingo, quando o movimento pode, oficialmente, terminar.

 

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