Haddad afirma que lei deve valer para todos após prisão de vereador do PT
Pré-candidato a governador de São Paulo defende investigações e direito à ampla defesa após prisão de Senival Moura em operação contra lavagem de dinheiro
247 - O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), comentou nesta quinta-feira (25) a prisão do vereador paulistano Senival Pereira de Moura (PT), alvo de uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas de ônibus da capital paulista. As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa realizada no escritório de campanha do petista, na zona oeste de São Paulo.
As informações foram publicadas originalmente pelo Metrópoles. Na ocasião, Haddad participou do anúncio oficial de Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador em sua chapa ao Governo de São Paulo e foi questionado sobre a prisão do parlamentar.
O pré-candidato afirmou que investigações devem ocorrer independentemente de filiação partidária e ressaltou que a responsabilização deve respeitar os princípios legais. "Eu já disse reiteradamente o que eu penso de qualquer investigação. Para mim, a questão ética não é uma questão partidária. As pessoas são responsáveis pelos seus atos, têm que ser investigadas na forma da lei, com todas as salvaguardas legais de direito de defesa, tudo que se conhece do direito penal", declarou.
Haddad defende apuração sem distinção
Durante a entrevista, Haddad também fez referência a outros episódios que, segundo ele, igualmente merecem investigação. O ministro citou uma suposta ligação de um integrante do PCC com o fornecimento de internet sem fio durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), além de mencionar uma suposta tentativa do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de favorecer o banco Digimais por meio da aprovação de crédito consignado para servidores públicos.
Ao defender que todos os casos sejam apurados, o petista afirmou que não há compensação entre eventuais irregularidades. "Nada se compensa. Tudo que está errado tem que ser investigado", disse.
Na sequência, reforçou o princípio de igualdade perante a Justiça ao afirmar: "A lei é para todos".
Operação investiga ligação com empresas de ônibus
Senival Pereira de Moura foi preso temporariamente durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público paulista. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro que teria sido utilizado por integrantes do PCC por meio de empresas do setor de transporte coletivo da capital.
Segundo a investigação, o vereador seria um dos principais responsáveis pela condução oculta da empresa Transunião. De acordo com a representação policial obtida pelo Metrópoles, ele é apontado como uma "instância superior de comando" dentro da estrutura investigada.
As apurações indicam que mensagens interceptadas mostram que decisões empresariais e repasses financeiros dependeriam da autorização do parlamentar, identificado em conversas pelos codinomes "presidente", "véio", "velhinho" e "vereador".
Polícia aponta movimentação financeira e patrimônio
Ainda conforme a investigação, planilhas internas indicam que Senival seria o beneficiário final de pelo menos 13 ônibus registrados em nome de terceiros ou da própria Transunião. Os documentos também relacionam CPFs do vereador e de familiares, incluindo esposa e filhos, aos ativos da empresa.
A Polícia Civil afirma que o parlamentar movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022. Desse total, R$ 2,47 milhões não teriam origem declarada. Os investigadores também apontam que o vereador possui patrimônio imobiliário considerado incompatível com sua remuneração oficial.
O relatório policial sustenta ainda que Senival teria utilizado a estrutura da Transunião para favorecer a lavagem de dinheiro de pessoas ligadas ao PCC. A investigação também relaciona o homicídio de Adauto Soares Jorge, ex-presidente formal da empresa, ocorrido em 2020, à suspeita de que integrantes da organização criminosa acreditavam que ele estaria desviando recursos em benefício do vereador.
Investigação cita atuação de assessores
Outro ponto destacado pelas investigações é que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam, simultaneamente, cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do mesmo grupo, o que, segundo a polícia, indicaria uma estrutura voltada à defesa dos interesses do parlamentar.
A autoridade policial também destacou que Senival exerce atualmente os cargos de 1º secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo, funções que lhe conferem atribuições relacionadas ao setor em que atua a empresa investigada.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos no escritório do vereador. Até a publicação da reportagem original, a defesa de Senival Moura não havia se manifestado. O Metrópoles informou que procurou a assessoria do parlamentar por e-mail e WhatsApp e que o espaço permanece aberto para posicionamentos.

