Irmão de Eloá, tenente da Rota baleado segue em estado grave em SP após emboscada
Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel, foi atacado ao sair de academia
247 - O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, irmão mais velho de Eloá Pimentel, permanece internado em estado grave após ser baleado em uma tentativa de homicídio em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O policial militar foi atacado ao sair de uma academia, e a investigação trabalha com a hipótese de crime premeditado. As informações são da CNN Brasil.
De acordo com a CNN Brasil, boletim divulgado pela corporação nesta segunda-feira (29) informou que Ronickson está na UTI, sedado, em ventilação mecânica e sob acompanhamento médico contínuo. Apesar de uma tomografia ter apontado melhora no edema cerebral, o quadro clínico do oficial ainda inspira cuidados.
O ataque ocorreu na manhã de sábado (27), na Avenida Goiás, uma das principais vias de São Caetano do Sul. Segundo a apuração, o tenente deixava uma academia quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Os suspeitos se aproximaram do policial, pararam ao lado dele e efetuaram os disparos.
Ronickson recebeu atendimento inicial do Samu ainda no local do crime. Em seguida, foi socorrido pelo helicóptero Águia, do Grupamento Aéreo da Polícia Militar, e encaminhado a uma unidade hospitalar.
A Polícia Militar prendeu dois homens suspeitos de participação no atentado na manhã de domingo (28), em Guaianases, na zona leste da capital paulista. Os detidos, de 52 e 40 anos, foram levados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação do caso.
Segundo a corporação, os dois homens não são apontados como autores diretos dos disparos, mas teriam prestado apoio logístico e de transporte à ação criminosa. Um terceiro homem, de 24 anos, foi ao DHPP para acompanhar o pai, um dos detidos, mas não foi preso.
As investigações indicam que veículos ligados aos suspeitos teriam acompanhado a motocicleta usada no atentado antes e depois dos disparos. Dois automóveis que estavam com os presos foram apreendidos e encaminhados para perícia do Instituto de Criminalística.
Para a polícia, a tentativa de assassinato contra o tenente da Rota não foi improvisada. A investigação apura a existência de planejamento prévio e a participação de ao menos cinco suspeitos, incluindo os dois homens presos no domingo.
À CNN Brasil, o major da Rota Marcos Verardino afirmou que os elementos reunidos até o momento apontam para uma ação planejada. A polícia também apura uma possível ligação de parte dos investigados com o PCC, o Primeiro Comando da Capital, maior facção criminosa do país.
Até o momento, as autoridades não detalharam quais suspeitos teriam relação com a organização criminosa nem esclareceram a motivação do atentado contra Ronickson. A linha de investigação inclui a análise de imagens de câmeras de segurança e o rastreamento da rota de fuga dos envolvidos.
Ronickson Pimentel dos Santos ficou nacionalmente conhecido por ser irmão de Eloá Cristina Pimentel, morta aos 15 anos pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, em outubro de 2008, em Santo André, no ABC paulista. O caso teve ampla repercussão nacional e foi acompanhado em tempo real por emissoras de televisão.
Na ocasião, Lindemberg invadiu o apartamento onde Eloá fazia trabalhos escolares com colegas. Parte dos reféns foi liberada, mas Eloá e a amiga Nayara permaneceram sob cárcere privado por quatro dias. A operação policial terminou com disparos feitos por Lindemberg: Nayara foi atingida no rosto, e Eloá foi baleada na cabeça e na virilha.
O relacionamento entre Eloá e Lindemberg havia começado quando ela tinha 12 anos. Conforme apurado à época, a adolescente havia terminado a relação, mas ele não aceitava o fim do namoro.
Lindemberg foi preso em flagrante em 2008 e posteriormente condenado por 12 crimes, entre eles homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e cárcere privado. A pena inicial, de 98 anos e 10 meses de prisão, foi reduzida em 2013 para 39 anos e três meses.
Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé, no interior de São Paulo, unidade conhecida por abrigar presos de grande repercussão pública. Segundo sua defesa, Lindemberg tem "comportamento exemplar", estuda e trabalha desde que foi preso.
Em março deste ano, o Ministério Público de São Paulo rejeitou um pedido de redução de pena apresentado pela defesa. Na decisão, o MP afirmou que Lindemberg não atingiu a pontuação mínima necessária para que sua participação em prova pudesse gerar remição da pena.
