Joalheria criou 'sistema paralelo' para vender joias sem nota a Cabral

A joalheria Antonio Bernardes chegou a criar um "sistema paralelo" para que o ex-governador do Rio Sergio Cabral (PMDB), preso há mais de uma semana pela Polícia Federal, pudesse comprar joias em dinheiro vivo e sem notas fiscais; Segundo depoimento de Vera Lúcia Guerra, gerente da loja no Shopping da Gávea, Cabral teria comprado R$ 5,1 milhões em joias neste sistema, que também não fazia nenhuma comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda (Coaf)

Adriana Ancelmo e Sergio Cabral
Adriana Ancelmo e Sergio Cabral (Foto: Giuliana Miranda)

Rio 247 - A joalheria Antonio Bernardes chegou a criar um "sistema paralelo" para que o ex-governador do Rio Sergio Cabral (PMDB), preso há mais de uma semana pela Polícia Federal, pudesse comprar joias em dinheiro vivo e sem notas fiscais. Segundo depoimento de Vera Lúcia Guerra, gerente da loja no Shopping da Gávea, Cabral teria comprado R$ 5,1 milhões em joias neste sistema, que também não fazia nenhuma comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda (Coaf).

As informações são de reportagem de Chico Otávio em O Globo. 

"De acordo com o Ministério Público Federal, a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos revelou que Carlos Miranda [apontado como operador de Cabral] ligou 208 vezes para a gerente da loja Antonio Bernardo no Shopping da Gávea, Vera Lúcia Guerra. Os investigadores desconfiam de lavagem de dinheiro com a compra de joias em troca de benefícios fiscais. No período que vai de 2008 a 2013, a joalheria recebeu, junto à HB Adornos, R$ 30,8 milhões em isenções. Com tantas ligações a um mesmo destinatário, chamou a atenção dos investigadores o fato de a Receita Federal não ter identificado qualquer nota fiscal em nome de Miranda ou de sua mulher, Maria Angélica, emitida pela joalheria."

"No sistema de contabilidade paralelo da joalheira Antonio Bernardo, o ex-governador Sérgio Cabral era tratado pelo codinome “João Cabra” e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, por “Lourdinha”. 

O depoimento de Vera Guerra e as provas colhidas junto à joalheira H.Stern, onde Cabral comprou outros R$ 2,1 milhões em joias pelo mesmo método, em espécie e sem notas fiscais, compõem o mais recente conjunto de provas reunido pela Operação Calicute para sustentar que o ex-governador comandava um esquema de cobrança de propina e lavagem de dinheiro — incluindo a compra de joias caras, conforme O GLOBO revelou com exclusividade no dia 17 — pelo qual teriam circulado R$ 224 milhões durante os seus governos (2007-2014)

Vera Lúcia prestou depoimento espontâneo, no mesmo dia em que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços da Antonio Bernardo no Rio. Ela confirmou o que Maria Luiza Trotta, diretora da H. Stern, havia contado aos procuradores da República responsáveis pela investigação: o dinheiro para pagar as peças era sempre levado por Carlos Emmanuel de Carvalho Miranda, apontado como operador de Cabral. Vera contou que o codinome do ex-governador, “João Cabra”, foi inspirado na criação de cabras mantida por Carlos Miranda em Paraíba do Sul, onde o operador tem uma fazenda, a Três Irmãos.

Em reportagem exibida ontem, o programa “Fantástico”, da TV GLOBO, mostrou a relação de joias compradas por Cabral na H.Stern. Após depor, Maria Luiza Trotta apresentou um total de R$ 2,1 milhões em notas fiscais de compras de Sérgio Cabral, que foram emitidas somente na sexta-feira, depois que a Calicute descobriu, com a quebra dos sigilos telefônicos dos envolvidos, que Carlos Miranda telefonava regularmente para Vera Guerra, da Antonio Bernando, e Maria Luzia, da H.Stern."

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