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Júri do caso Gritzbach é marcado por bate-boca e tensão em São Paulo

Discussões entre defesa e acusação interrompem julgamento dos PMs acusados pela execução de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach no aeroporto de Guarulhos

Antônio Vinícius Lopes Gritzbach (Foto: Reprodução )
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247 - O primeiro dia do julgamento dos policiais militares acusados de participação no assassinato de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach foi marcado por momentos de forte tensão no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. A sessão do Tribunal do Júri chegou a ser interrompida após uma discussão entre advogados de defesa e o promotor Rodrigo Merli Antunes. As informações foram publicadas originalmente pela Folha de S.Paulo.

Gritzbach foi morto em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O crime também resultou na morte do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais e deixou outras duas pessoas feridas. Três policiais militares são julgados sob acusação de participação na execução, enquanto outros investigados permanecem foragidos ou terão seus casos analisados separadamente.

A principal confusão da sessão ocorreu durante o depoimento de uma testemunha, quando uma declaração do promotor provocou reação imediata dos advogados de defesa. Em meio ao embate verbal, um dos defensores chegou a deixar a área reservada aos advogados e ameaçou abandonar o plenário.

Discussão interrompe audiência

Durante a troca de acusações, Rodrigo Merli Antunes afirmou: "O senhor conversa com bandido, eu converso com policial". A frase provocou protestos dos advogados presentes, que passaram a questionar a postura do representante do Ministério Público.

Na sequência, os defensores também reclamaram da proximidade física do promotor durante a formulação de perguntas a uma testemunha. O advogado Renan Canto reagiu de forma contundente à situação e declarou: "Não estou aqui para ser desrespeitado por sujeito só porque é mais velho do que eu".

Em resposta às manifestações da defesa, o promotor rebateu com a expressão: "Blá-blá-blá". Diante do aumento da tensão, os advogados solicitaram ao juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo que advertisse o representante da acusação e determinasse que ele evitasse circular próximo aos defensores durante os depoimentos.

Novo momento de tensão no plenário

Inicialmente, o magistrado afirmou que tanto acusação quanto defesa tinham liberdade para se deslocar pelo plenário. Posteriormente, contudo, orientou o promotor a evitar passar próximo à bancada da defesa para preservar o andamento dos trabalhos.

O episódio representou o segundo momento de conflito registrado ao longo do julgamento nesta segunda-feira (22). Mais cedo, os advogados já haviam se insurgido contra declarações do perito Leandro Santos Lopes durante seu depoimento.

A defesa questionou o fato de o perito ter informado que teve acesso prévio ao parecer técnico elaborado pelos advogados dos réus e que havia se encontrado com o promotor antes da sessão do júri. Os defensores argumentaram que tais circunstâncias poderiam comprometer a percepção de imparcialidade do depoimento.

Defesa critica postura de perito

Outro ponto de atrito ocorreu quando os advogados alegaram tratamento desigual por parte do perito durante os questionamentos feitos pelas partes. Segundo a defesa, as respostas apresentadas à Promotoria foram diferentes da postura adotada diante dos questionamentos dos advogados.

O advogado Cláudio Calledone criticou diretamente a atuação da testemunha e afirmou: "O senhor está extremamente hostil com a defesa, inclusive com um 'arzinho' de deboche". Em seguida, pediu que acusação e defesa recebessem tratamento equivalente durante a audiência.

Apesar das discussões, o julgamento prosseguiu com a oitiva de testemunhas e análise das provas reunidas pela investigação sobre o assassinato ocorrido no aeroporto de Guarulhos.

Quem são os réus do caso

Sentam-se no banco dos réus os policiais militares Dênis Antônio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva. Segundo a acusação, eles teriam atuado como atiradores e motorista do veículo utilizado na fuga após o atentado.

Os três negam qualquer envolvimento no crime. As defesas sustentam que a acusação se baseia em provas manipuladas e afirmam que nenhum dos policiais estava no aeroporto no momento da execução.

Entre os elementos centrais da investigação estão dados de localização obtidos por antenas de telefonia celular. Os advogados contestam a interpretação dessas informações e também questionam exames genéticos e outros laudos periciais utilizados para vincular os acusados ao atentado.

Foragidos e motivação do crime

Embora o julgamento esteja concentrado nos três policiais militares, outros investigados permanecem foragidos. Entre eles estão Emílio Carlos Gongorra Castilho, conhecido como Cigarreira, e Diego dos Santos Amaral, o Didi, apontados como mandantes do assassinato.

Também segue sem localização Kauê do Amaral Coelho, identificado por imagens de segurança no saguão do aeroporto e acusado de indicar a posição de Gritzbach aos executores. A Polícia Civil recebeu informações de que Cigarreira e Didi já teriam deixado o Brasil.

Segundo a investigação, a motivação do crime estaria ligada a disputas financeiras e a um suposto acerto de contas envolvendo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Gritzbach era apontado como suspeito de participação na morte do traficante Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, assassinado em 2021, além de ser acusado por membros da facção de ter desaparecido com cerca de US$ 100 milhões pertencentes ao grupo criminoso. Ele negava envolvimento tanto no homicídio quanto no desaparecimento do dinheiro, embora tenha admitido às autoridades participação em operações de lavagem de recursos da facção por meio do mercado imobiliário.