Justiça aumenta a pena de Ronnie Lessa, preso após o assassinato de Marielle Franco
Juízes aumentaram a punição imposta ao ex-policial por causa do sumiço das armas utilizadas no homicídio da ex-parlamentar, morta por integrantes do crime organizado
247 - O Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) aumentou de quatro para cinco anos em regime fechado a pena do ex-policial militar Ronnie Lessa teve a pena aumentada no processo pelo sumiço das armas utilizadas no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O ex-PM está detido em um presídio de segurança máxima, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Investigadores apuram se a submetralhadora usada no crime foi jogada no mar. A arma nunca foi localizada.
No mesmo processo judicial do sumiço das armas, a mulher do ex-PM, Elaine Lessa, e outros três réus tiveram as penas estendidas a pedido do Ministério Público (MPRJ). De acordo com informações publicadas pelo jornal O Dia, Elaine e o irmão, Bruno Pereira Figueiredo, ficaram com oito anos de reclusão, José Márcio Mantovano recebeu sete anos, e Josinaldo Lucas Freitas teve seis anos de semiaberto decretados.
A ex-vereadora Marielle Franco foi assassinada por integrantes do crime organizado em março de 2018 no município do Rio. A investigadores, o ex-policial Élcio Queiroz admitiu que dirigia o carro de onde partiram os tiros contra a então parlamentar e, de acordo com ele, Ronnie Lessa foi responsável pelos disparos. Em julho, o MPRJ afirmou que o acordo de delação premiada de Queiroz não vaio tirar ele e Ronnie Lessa de um julgamento no Tribunal do Júri.
O ex-policial foi preso em 2019. Atualmente, ele está em regime fechado (fica todos os dias na prisão). No semiaberto, a pessoa pode fazer curso ou alguma outra atividade fora da penitenciária, e, no regime aberto, pode no fim do dia e nas folgas voltar para casa ou a um estabelecimento determinado pelo Judiciário.
As investigações apontaram que Lessa fazia pesquisas sobre lugares que a ex-parlamentar frequentava e os locais correspondiam a agendas diárias da parlamentar, como curso de inglês, faculdade e aula de pré-vestibular. Um endereço na Rua do Bispo, em Rio Comprido, região central da capital, era o mesmo local onde Marielle esteve em data próxima à sua morte, na casa do ex-companheiro.
Outras pessoas teriam ajudado no cometimento do crime. Queiroz disse que o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, vigiou Marielle. Afirmou, ainda, que o sargento da PM Edmilson da Silva de Oliveira, o Macalé, morto em 2021, foi quem apresentou a Lessa o "trabalho" de executar Marielle.
Em depoimento, Queiroz também citou Edilson Barbosa dos Santos, conhecido como "Orelha". De acordo com o ex-policial, o mecânico foi procurado por Suel para se desfazer do carro usado no homicídio. A delação apontou que Orelha tinha uma agência de automóveis e foi dono de um ferro velho. Conhecia pessoas que possuem peças de carros.
